No mesmo dia em que assumiu o Ministério da Saúde, Alexandre Padilha foi alvo de um requerimento de convocação na Câmara dos Deputados. O motivo: sua aceitação do cargo de presidente de honra da associação China Hub Brasil, entidade financiada por empresas chinesas com interesses no governo federal. O cargo não é remunerado, mas levanta suspeitas de conflito de interesse.
O deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES) apresentou o pedido de convocação, argumentando que a função pode ferir princípios da administração pública. “Aceitar um cargo, ainda que honorário, em associação financiada por gigantes chinesas com interesses diretos no governo é abrir as portas para a suspeita, para o tráfico de influência e para a erosão da confiança pública”, criticou.
Segundo a coluna de Tácio Lorran (Metrópoles), a entidade recebe apoio de empresas como Mindray, fornecedora global de instrumentos médicos, Tegma, Banco da China e Huawei. O lançamento oficial está marcado para sexta-feira (14), em São Paulo. A associação visa fomentar relações comerciais entre Brasil e China, consultoria para associadas e parcerias público-privadas.
Padilha consultou a Comissão de Ética Pública antes de aceitar o cargo e recebeu sinal verde, mas, à época, ainda era ministro da Secretaria de Relações Institucionais, enquanto seu nome já era cotado para a Saúde. “A ética na política não se mede apenas pela ausência de remuneração, mas pelo zelo intransigente pelo bem comum”, reforçou Evair.
O requerimento foi protocolado às 16h31, cerca de uma hora e meia após a posse de Padilha. A oposição pressiona por explicações sobre a proximidade do ministro com empresas estrangeiras que têm interesses diretos na pasta da Saúde.

