Novo ministro da Saúde, Padilha preside associação patrocinada por empresas chinesas do setor - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Novo ministro da Saúde, Padilha preside associação patrocinada por empresas chinesas do setor

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Por Redação

Novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha é também presidente de honra da China Hub Brasil, associação bancada por empresas farmacêuticas e de equipamentos hospitalares com interesses diretos no governo. A apuração é de Tárcio Lorran, do Metrópoles.

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A entidade será lançada oficialmente na sexta-feira (14), em São Paulo, com apoio de gigantes chinesas e brasileiras dos setores de saúde, logística e tecnologia.

Entre as patrocinadoras estão:

• Mindray: multinacional chinesa de equipamentos médicos, parceira de dezenas de hospitais no Brasil.

• Tegma: logística e transporte para a indústria farmacêutica, considerada preferida por montadoras chinesas no país.

• Alper Seguros: corretora que oferece planos de saúde e serviços de telemedicina por meio da AlperTech.

O lançamento do China Hub Brasil também conta com o suporte do Bank of China, que financia laboratórios e empresas farmacêuticas chinesas que atuam no Brasil, e da Huawei, que investe em transformação digital no setor de saúde e firmou parceria com a Associação Brasileira CIO Saúde (ABCIS).

Nenhuma das empresas envolvidas respondeu aos questionamentos da imprensa.

Padilha buscou autorização da Comissão de Ética Pública (CEP) antes de aceitar o cargo simbólico. A consulta foi feita em 6 de fevereiro, enquanto ele ainda ocupava o Ministério das Relações Institucionais (SRI). A avaliação da CEP ignorou a participação de empresas chinesas no financiamento da associação.

Em resposta, Padilha afirmou que não terá papel de gestão nem receberá salário da entidade. Disse também que, como ministro, não manteve “relação relevante” com a China Hub Brasil. Porém, recebeu ao menos três vezes o empresário Youyang Jiang, fundador da entidade, além de representantes da Huawei.

O presidente da CEP, Manoel Caetano Ferreira Filho, afirmou que o convite foi feito ao “Padilha-pessoa”, e não ao “Padilha-ministro”. Sobre o apoio das empresas chinesas, declarou que “isso é um fato estranho à decisão da CEP” e que a situação pode ser reavaliada.

O estatuto da China Hub Brasil prevê mediação de negócios e serviços de consultoria entre empresas brasileiras e chinesas, além de participação em fundos de investimento e parcerias público-privadas. A entidade vai gerar receita a partir de serviços aos associados, participação em empresas e venda de ativos.

Embora o estatuto não defina as atribuições do presidente de honra, a CEP entende que Padilha poderá atuar em eventos e reuniões de caráter consultivo, emprestando seu prestígio para decisões estratégicas. A Lei de Conflito de Interesses (Lei 12.813/2013) proíbe autoridades de atuar em negócios que possam envolver decisão de seu cargo público.

O convite de lançamento descreve a associação como uma nova fase nas relações Brasil-China, “conectando líderes, empresas e instituições para abrir caminhos em negócios, inovação e cooperação estratégica”.

Youyang Jiang é secretário-geral da Associação Chinesa do Brasil e próximo de Padilha. Participou da posse do petista no SRI em 2023 e de reuniões no ministério. À imprensa, Jiang negou atuação de lobby, mas admitiu que fará “conexões” para negócios Brasil-China. “Tecnicamente não entendo nada, mas tenho muitos amigos”, disse.

Ele confirmou que o convite a Padilha foi feito antes de sua indicação para a Saúde. “Quando ele estava na SRI, sempre participou das nossas atividades da comunidade chinesa”, afirmou. Jiang garantiu que Padilha não participará de negociações e que as ações da associação terão aval jurídico.

“A gente conversa com todo mundo. Não temos ideologia de nada”, completou. “Pessoalmente, eu adoro o Padilha.”

A associação também conta com apoio da CGN Brazil Energy, da estatal CEEC Energy China e da montadora GWM. Do lado brasileiro, o evento de lançamento tem suporte do governo federal, por meio do Conselhão (CDESS), órgão vinculado ao SRI, pasta comandada por Padilha até o mês passado.

O colegiado reúne sindicalistas, empresários, intelectuais e influenciadores ligados à base do governo. É um escândalo.

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