Oposição mantém plenário travado e pressiona por controle da pauta - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Oposição mantém plenário travado e pressiona por controle da pauta

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Deputados se revezam em vigília na Câmara e descartam anistia “light” em reunião com Motta

Deputados da oposição ocupam o plenário da Câmara dos Deputados em regime de revezamento, com acesso restrito a parlamentares previamente escalados em listas de plantão. O grupo mantém a obstrução e pressiona a cúpula da Casa a não avançar com uma proposta de anistia considerada branda aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

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Fontes ouvidas por este portal informaram que há rodízio de 10 a 15 parlamentares por plantão. Uma reunião com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), está prevista para hoje, 16h, com foco na negociação da pauta. Uma das fontes afirmou que o grupo rejeita qualquer tentativa de “anistia light”.

Em conversa reservada, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) declarou que o momento não é de discutir texto, mas de manter a pressão. “O Motta tá puto, e isso é o que interessa agora”, afirmou. Segundo ela, o objetivo de causar incômodo à cúpula da Casa foi atingido.

Ventura disse ainda que não acredita que a proposta de anistia incluirá o ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco da oposição é garantir a liberdade dos presos do 8 de janeiro que, na avaliação do grupo, já cumpriram tempo suficiente de pena. Questionada sobre o apoio anterior de parte da oposição às presidências de Hugo Motta e Davi Alcolumbre (União-AP), ela destacou que o Novo não compactuou com as alianças e que, daqui em diante, as negociações precisam ser “claras e objetivas”. “Se não cumprirem, vai ter barulho”, avisou.

Motta e Alcolumbre têm mantido conversas desde terça-feira (5) sobre uma saída conjunta para o impasse no Congresso. A estratégia é articular uma posição única entre as duas Casas para destravar a pauta legislativa.

O vice-presidente da Câmara, Altineu Cortes (PL-RJ), declarou que pretende pautar o projeto da anistia caso Motta se ausente do país. Diante disso, membros da mesa diretora pediram uma reunião com o presidente para definir uma resposta institucional à obstrução.

Uma versão alternativa do PL da Anistia, discutida entre Motta, Alcolumbre e o próprio Bolsonaro, prevê a unificação dos crimes de tentativa de golpe e abolição do Estado democrático de direito. O texto reduziria penas e aceleraria a soltura de condenados, mas não incluiria o ex-presidente.

 

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