Troca de mensagens com Cid levou Moraes a abrir nova investigação
A seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) decidiu atuar em defesa do advogado Eduardo Kuntz, alvo de um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes no STF. Kuntz será ouvido nesta terça-feira (1º) pela Polícia Federal, após ser acusado de ter trocado mensagens com o ex-ajudante de ordens Mauro Cid por meio de um perfil no Instagram.
Kuntz é defensor de Marcelo Costa Câmara, um dos militares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e que agora figura entre os investigados por envolvimento em uma suposta tentativa de golpe. A investigação conduzida por Moraes mira justamente o contato entre Kuntz e Cid, que ocorreu após este último fechar acordo de delação premiada.
A Ordem juntou a procuração nos autos nesta segunda-feira (30) e escalou os criminalistas Alberto Toron e Renato Marques Martins, ambos da Comissão de Prerrogativas, para a defesa de Kuntz. Os dois advogados já atuaram na Lava Jato e são experientes na proteção das prerrogativas da advocacia.
O objetivo da OAB-SP é garantir que a atuação de Kuntz como advogado não seja criminalizada. O clima entre a advocacia e o ministro Moraes já vinha tenso. Na semana passada, a defesa do general Braga Netto recorreu ao Conselho Federal da Ordem após Moraes proibir o registro da acareação entre ele e Mauro Cid, mesmo por meios próprios dos advogados. A cúpula da OAB nacional, até agora, não se pronunciou oficialmente.
Depois de obter liberdade provisória, Cid usou uma conta do Instagram vinculada à esposa para relatar que teria sido coagido a confirmar pontos sensíveis do seu acordo de colaboração. Kuntz apresentou essas mensagens ao Supremo como parte da estratégia de defesa de Marcelo Câmara, tentando deslegitimar a delação de Cid.
Pouco depois de o advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, questionar Cid sobre o perfil do Instagram em audiência da Primeira Turma, a conta foi deletada. A exclusão foi feita por meio de uma VPN, dificultando o rastreamento. No entanto, Meta e Google informaram ao STF que o perfil estava atrelado ao e-mail e telefone de Cid e que foi acessado próximo à sua residência.
Apesar das evidências, Moraes manteve a validade da delação e passou a investigar tanto Marcelo Câmara quanto Eduardo Kuntz. Em sua decisão, o ministro apontou indícios de tentativa de obstrução das investigações por parte da dupla. Para Moraes, a atuação do advogado “transbordou ilicitamente das obrigações legais de advogado”.
A justificativa também embasou a prisão de Câmara, que segundo Moraes teria violado a proibição de manter contato com outros investigados.
