Cid nega perfil falso e acusa defesa de Bolsonaro de obstrução - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Cid nega perfil falso e acusa defesa de Bolsonaro de obstrução

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Por Isac Mascarenhas

Cid afirmou que Wajngarten procurou sua filha para obter informações da delação

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, negou em seu depoimento à PF ter se comunicado com o advogado Eduardo Kuntz através de um perfil de Instagram identificado como “Gabriela” (@gabrielar702). Ele também acusou a defesa de Bolsonaro de tentar colher detalhes de seu acordo de delação premiada e de interferir nas apurações sobre a suposta trama golpista.

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Ao ser questionado sobre os diálogos que foram entregues ao STF pelo próprio advogado, Cid alegou que não foi o remetente das mensagens e que os áudios teriam sido gravados “sem sua ciência e autorização” e, posteriormente, repassados a Kuntz. O ex-ajudante de ordens afirmou não ter criado o perfil nem saber quem é o titular da conta no Instagram.

O depoimento de Cid ocorreu na última terça-feira (24), mas o termo de declarações foi liberado somente nesta quinta-feira (26).

Nos  diálogos atribuídos ao tenente-coronel, há críticas —  em áudio e por escrito — ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e ao delegado Fábio Shor, responsável por investigações sensíveis contra Bolsonaro, incluindo o inquérito do suposto golpe. As mensagens também sugerem que as informações fornecidas no acordo de colaboração premiada estariam sendo distorcidas.

Com base nas informações, o advogado Eduardo Kuntz, que representa o coronel Marcelo Câmara no inquérito do “golpe”, solicitou a anulação da delação de Cid, argumentando que as conversas provam a ausência de voluntariedade no depoimento.

Em sua oitiva, Cid relatou que sua família foi procurada não apenas por Kuntz, mas também por Paulo Amador da Cunha Bueno, advogado de Bolsonaro, e por Fábio Wajngarten, ex-assessor do ex-presidente. Esses contatos teriam ocorrido em eventos na Hípica de São Paulo e por meio de redes sociais.

O termo de depoimento registra que “Fábio Wajngarten, Paulo Bueno e Luiz Eduardo de Almeida Santos Kuntz tentaram convencer familiares do declarante para que trocasse de defesa técnica“.

Procurado, Wajngarten, que também é advogado, afirmou que “a criminalização da advocacia é a cortina de fumaça para tentar ocultar a expressa falta de voluntariedade do réu delator Mauro Cid e a consequente nulidade da colaboração“. Em resposta a essas alegações, Moraes ordenou que Cunha Bueno e Wajngarten prestem depoimento à Polícia Federal.

Segundo o tenente-coronel, Kuntz e Wajngarten estavam “tentando se aproximar” dele por intermédio de sua filha menor de idade, que participa de competições de hipismo. As tentativas de contato com a jovem via WhatsApp e Instagram teriam sido “constantes” entre agosto de 2023 e o início de 2024.

A mãe do tenente-coronel também teria sido abordada pessoalmente pelo advogado, e sua esposa foi procurada por Wajngarten, que tentou convencê-la a substituir os advogados de Cid, efetuando diversas ligações para obter detalhes do acordo de colaboração e, assim, “interferir nas investigações em andamento”.

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