“O que está ruim pode ficar muito pior”, diz senador nos EUA - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Mundo

“O que está ruim pode ficar muito pior”, diz senador nos EUA

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Senadores encerram missão nos EUA sem acesso à Casa Branca

A missão oficial do Senado Federal aos Estados Unidos encerrou-se nesta quarta-feira (30) sem avanços para barrar a tarifa de 50% imposta por Donald Trump sobre produtos brasileiros. Após três dias de reuniões, os parlamentares admitiram que não houve acordo e que o cenário pode piorar.

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“O que está ruim pode ficar muito pior”, disse o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), coordenador da comitiva e presidente da Comissão de Relações Exteriores. “Preenchemos uma lacuna, abrimos o diálogo, mas o jogo ainda está começando. Ninguém tinha pretensão de sair daqui com isso resolvido”, afirmou.

Trad alertou que há forte apoio bipartidário no Congresso americano para aprovar sanções contra países que mantêm comércio com a Rússia. “Todos os senadores, dos dois lados, já confirmaram que vão aprovar a lei. A política brasileira foi alertada sobre isso para os próximos 20 dias”, disse.

Segundo ele, a postura do governo Trump demonstra falta de disposição para negociar. “Se uma medida vai vigorar em 20 dias, é porque não querem conversa.”

O senador relatou que parte dos congressistas dos EUA desconhece a realidade brasileira. “Alguns sabiam do que estavam falando, muitos não.”

Mesmo parlamentares americanos reconheceram que a tarifa pode prejudicar os próprios EUA. “Ontem ouvimos que sobretaxar o café e outros grãos do Brasil seria um gol contra”, afirmou Trad.

A delegação brasileira, formada por senadores da base e da oposição, reuniu-se com nove parlamentares americanos, empresários e representantes da embaixada do Brasil.

A ausência de acesso direto ao presidente Trump ou a autoridades do alto escalão da Casa Branca evidenciou as limitações da missão. “Nós não temos como negociar. Viemos abrir caminhos para quem pode negociar, que é o governo federal”, disse Trad.

Nos bastidores, os senadores admitiram que o Brasil agiu de forma reativa e sem estratégia definida.

Trad também negou que a presença de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) tenha causado atrito. “A única coisa que aconteceu foi que um senador estava confirmado para uma reunião e não foi.”

Ele comentou ainda que o preço da madeira já subiu no Rio Grande do Sul, antecipando os efeitos do tarifaço.

A comitiva agora retorna ao Brasil. Segundo Trad, os senadores irão se reunir com o Executivo para discutir os próximos passos. “Vamos fazer as interlocuções necessárias e prudentes em função de todo esse amaranhado aí.”

Apesar do fracasso nas negociações, Trad afirmou que a viagem serviu para “distensionar a relação nos EUA”, dentro dos limites da atuação legislativa.

A comitiva foi recebida por nove parlamentares americanos, sendo oito democratas e apenas um republicano. “Apesar de ser minoria, percebemos que é um parlamentar muito ouvido e respeitado”, comentou Trad.

Os senadores tentaram reforçar que a tarifa afeta ambos os países. “Estamos mostrando que essa decisão é um perde-perde”, disse Trad.

Ao final da viagem, o senador Esperidião Amin (PP-SC) também comentou a tramitação de um projeto no Senado que visa limitar o impacto de decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o controle das big techs. Segundo ele, a proposta busca impedir o que classificou como “censura prévia”.

Sobre o ministro Alexandre de Moraes, nenhum senador da comitiva se manifestou.

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