Segundo Nikolas, mesmo com Magnitsky, Moraes não recuou
Em entrevista ao ALive nesta terça-feira (16), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) atribuiu ao “establishment” o fim da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes. Ele também criticou o espaço dado ao magistrado no lançamento do SBT News.
“Foi Joesley, foi juntamente com André Esteves, foi o establishment, que é muito maior do que nós mesmos, que tem interesses primários e que infelizmente essas questões que estão acontecendo no Brasil viraram secundárias”, afirmou o parlamentar.
Segundo Nikolas, o Brasil tem sido tratado como um “laboratório geopolítico” por outros países. Ele disse que já havia defendido publicamente que o país não sofresse interferência externa, nem para favorecer a esquerda nem a direita, mas que acabou sendo “massacrado” por essa posição.
“Hoje, infelizmente, a política virou torcida. A política não é torcida”, destacou Nikolas. “Você precisa realmente fazer uma análise e compreender tudo que você fala”.
O parlamentar explicou por que evitou comentar publicamente a Lei Magnitsky. Segundo ele, apesar da expectativa da direita por efeitos concretos, não houve qualquer recuo por parte do STF.
“É evidente, claro e evidente que todo mundo da direita torce para que a Magnitsky gerasse o efeito real, ou seja, gerasse o efeito de recuo, eles realmente, é, dessem a anistia, ou que tirassem o Bolsonaro da cadeia, ou de que parassem com a censura que estava sendo estabelecida aqui no Brasil”, disse.
Nikolas afirmou que, mesmo após a Magnitsky, Alexandre de Moraes seguiu proferindo decisões “de forma ditatorial e sem nenhum tipo de recuo”.
“O grande problema, que eu falei desde lá de trás, era que: ‘pessoal, todas as palavras que nós falamos a respeito do que tá acontecendo com essas decisões nos Estados Unidos, elas são muito temerárias, porque eu não sei, eu não faço parte do processo de comunicação do governo americano, eu não tenho conversa com ninguém lá, eu não tenho o acesso que o Eduardo tem, que o Paulo Figueiredo tem'”.
“Então, assim, quem pode falar alguma coisa são eles [que articularam a Magnitsky], mas, ao mesmo tempo, eu não sei das consequências, eu não sei o que isso pode gerar ou não”, acrescentou Nikolas ao justificar seu “silêncio” sobre o tema.
O deputado também negou que Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo tenham agido com ingenuidade nas articulações, mas avaliou que “faltou cautela” ao tratar da aplicação da Magnitsky. “Todo mundo quer ver o Brasil livre das garras do STF, quer ver essas pessoas pagando por aquilo que elas plantaram e que elas colham isso”, observou.
“Todo mundo torce para que essas movimentações gerem frutos. O que eu sinto não é que eles foram ingênuos, não, pelo contrário”, completou, reforçando que “faltou cautela”.
Nikolas também criticou duramente a participação de Alexandre de Moraes no lançamento do SBT News. Segundo ele, o problema não foi a presença de políticos de esquerda, mas a do magistrado.
“O grande problema realmente é o magistrado se colocar como uma celebridade política, usar ali de um palanque pra poder falar inverdades políticas, principalmente em um dia pra se autopromover por conta de uma decisão geopolítica que era a derrubada da, da Magnitski”, afirmou.
“Não tem nenhum problema [a participação de Lula e outros da esquerda], mas um juiz pela Constituição, ele não pode ficar falando fora dos autos, né? Só aqui no Brasil que a grande parte aí da, da mídia, e de artistas e de establishment colocam o juiz da Suprema Corte como se fosse um comentarista político. Em uma posição de quase que celebridade”, continuou.
Por fim, Nikolas alertou para o risco de emissoras perderem credibilidade ao se alinharem ao Supremo e ao governo Lula:
“A gente já viu em outros canais de televisão de que estavam enfim caminhando para algo, o STF foi, começou a sua perseguição e enfim acabou se perdendo extremamente audiência porque se curvaram, é, ao establishment, né e ao nosso Supremo Tribunal Federal”.
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