Zucco aponta descumprimento de acordos e interferência do Supremo
O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), afirmou nesta manhã (17) que o sentimento da oposição em relação ao presidente da Câmara, Hugo Motta, é de traição, após o descumprimento de acordos firmados para viabilizar sua chegada ao comando da Casa. As declarações foram feitas durante um café da manhã com jornalistas, em Brasília.
“O Motta foi muito mal. Não soube conduzir a Casa. Não teve pulso”, disse. Ao comparar gestões, afirmou que Arthur Lira tinha “mais tamanho, mais musculatura”.
Segundo o deputado, a oposição apoiou Motta sob compromisso de pautar a anistia aos condenados do 8 de janeiro. Ele afirmou que nunca houve cobrança por aprovação. “A gente nunca pediu aprovação da anistia. A gente pediu que fosse ao plenário”, declarou. Para Zucco, o não cumprimento do acordo foi “desrespeitoso com a oposição e com quem ele havia conversado”.
Zucco afirmou que houve diálogo direto entre Motta, o PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a articulação da candidatura ao comando da Casa. “Existiu, sim, uma conversa com o PL e com o presidente Bolsonaro para apoiar a candidatura dele”, disse.
O deputado afirmou que a relação está rompida. “A possibilidade da oposição apoiar o Motta é zero. Arrependimento total”, afirmou. Segundo ele, a atual gestão enfraqueceu o Legislativo. “A Câmara sai menor por causa da sua gestão. Aqui, a força de um presidente da Casa estraga um poder”, disse.
Sobre a dosimetria das penas, Zucco afirmou que a proposta não atendia à oposição e que a anistia sempre foi a pauta central. Disse ainda que foi Bolsonaro quem pediu avanço na dosimetria como alternativa. “O presidente Bolsonaro foi quem pediu para que avançasse a dosimetria”, afirmou.
Zucco também declarou que o relatório da dosimetria teria sido elaborado pelo ministro Alexandre de Moraes. “O relatório da dosimetria foi feito pelo Alexandre de Moraes. Qual a manobra política para que agora não passe?”, questionou.
Ele citou episódios em que, segundo afirmou, decisões da Câmara deixaram de avançar por influência externa. “O que chegava para nós é que o pessoal do outro lado da rua não autorizava”, disse, em referência ao STF.
Zucco afirmou que a oposição não desistirá da anistia em 2026 e que o tema seguirá no centro da estratégia política. Disse ainda que a direita mantém força eleitoral. “A direita permanece muito forte”, afirmou, citando crescimento no número de prefeitos, parlamentares e a expectativa de maioria no Senado.
“O movimento parlamentar da direita é muito forte. Existe um alinhamento que tende a aumentar assembleias, Câmara, Senado e governos”, disse.
Ao final, Zucco voltou a criticar a falta de posicionamento da presidência da Câmara. “Ele tem que ter posição. Só dá condição se for cumprir a palavra”, afirmou. Segundo o deputado, a condução atual tornou o cenário “insustentável” para o próximo ano legislativo.
O líder reforçou que a atual relação entre a esquerda e o STF cria um ambiente de risco institucional. Segundo ele, “a esquerda tem hoje uma ótima relação com o Supremo, mas o pêndulo sempre se move e isso é muito perigoso”.
