Motta não soube conduzir a casa, afirma oposição
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Motta não soube conduzir a casa, afirma oposição

Zucco, líder da opoisção, critica Motta, STF e diz que oposição rompeu apoio na Câmara

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Zucco aponta descumprimento de acordos e interferência do Supremo

O líder da oposição na Câmara, deputado Zucco (PL-RS), afirmou nesta manhã (17) que o sentimento da oposição em relação ao presidente da Câmara, Hugo Motta, é de traição, após o descumprimento de acordos firmados para viabilizar sua chegada ao comando da Casa. As declarações foram feitas durante um café da manhã com jornalistas, em Brasília.

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“O Motta foi muito mal. Não soube conduzir a Casa. Não teve pulso”, disse. Ao comparar gestões, afirmou que Arthur Lira tinha “mais tamanho, mais musculatura”.

Segundo o deputado, a oposição apoiou Motta sob compromisso de pautar a anistia aos condenados do 8 de janeiro. Ele afirmou que nunca houve cobrança por aprovação. “A gente nunca pediu aprovação da anistia. A gente pediu que fosse ao plenário”, declarou. Para Zucco, o não cumprimento do acordo foi “desrespeitoso com a oposição e com quem ele havia conversado”.

Zucco afirmou que houve diálogo direto entre Motta, o PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro durante a articulação da candidatura ao comando da Casa. “Existiu, sim, uma conversa com o PL e com o presidente Bolsonaro para apoiar a candidatura dele”, disse.

O deputado afirmou que a relação está rompida. “A possibilidade da oposição apoiar o Motta é zero. Arrependimento total”, afirmou. Segundo ele, a atual gestão enfraqueceu o Legislativo. “A Câmara sai menor por causa da sua gestão. Aqui, a força de um presidente da Casa estraga um poder”, disse.

Sobre a dosimetria das penas, Zucco afirmou que a proposta não atendia à oposição e que a anistia sempre foi a pauta central. Disse ainda que foi Bolsonaro quem pediu avanço na dosimetria como alternativa. “O presidente Bolsonaro foi quem pediu para que avançasse a dosimetria”, afirmou.

Zucco também declarou que o relatório da dosimetria teria sido elaborado pelo ministro Alexandre de Moraes. “O relatório da dosimetria foi feito pelo Alexandre de Moraes. Qual a manobra política para que agora não passe?”, questionou.

Ele citou episódios em que, segundo afirmou, decisões da Câmara deixaram de avançar por influência externa. “O que chegava para nós é que o pessoal do outro lado da rua não autorizava”, disse, em referência ao STF.

Zucco afirmou que a oposição não desistirá da anistia em 2026 e que o tema seguirá no centro da estratégia política. Disse ainda que a direita mantém força eleitoral. “A direita permanece muito forte”, afirmou, citando crescimento no número de prefeitos, parlamentares e a expectativa de maioria no Senado.

“O movimento parlamentar da direita é muito forte. Existe um alinhamento que tende a aumentar assembleias, Câmara, Senado e governos”, disse.

Ao final, Zucco voltou a criticar a falta de posicionamento da presidência da Câmara. “Ele tem que ter posição. Só dá condição se for cumprir a palavra”, afirmou. Segundo o deputado, a condução atual tornou o cenário “insustentável” para o próximo ano legislativo.

O líder reforçou que a atual relação entre a esquerda e o STF cria um ambiente de risco institucional. Segundo ele, “a esquerda tem hoje uma ótima relação com o Supremo, mas o pêndulo sempre se move e isso é muito perigoso”.

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