Moraes concentra quase 100% dos mandados de prisão em aberto do STF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes concentra quase 100% dos mandados de prisão em aberto do STF

O recuo ocorre após o próprio réu ter enviado ao Supremo uma petição manuscrita na qual contesta a substituição de seus advogados pela Defensoria Pública da União (DPU)
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Redação

Levantamento mostra que 235 das 236 ordens não cumpridas foram assinadas por Moraes

Levantamento feito pela imprensa com base em dados do Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) mostra que Alexandre de Moraes concentra praticamente todas as ordens de prisão em aberto no Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 236 mandados expedidos por ministros da Corte que não foram cumpridos, 235 — 99,58% — são de autoria dele. Apenas um, equivalente a 0,42%, foi assinado por Luiz Fux.

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As informações são do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os nomes listados são considerados foragidos e não incluem os que já tiveram prisão efetivada.

Entre os mandados de Moraes está o de Diego Dias Ventura, condenado a 14 anos por envolvimento no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília. Ele rompeu a tornozeleira eletrônica no início de julho e segue foragido.

Outro caso é o de Leonardo Rodrigues de Jesus, conhecido como Léo Índio, primo dos filhos mais velhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A prisão preventiva dele foi decretada no âmbito das investigações do 8 de Janeiro. Atualmente na Argentina, teve o passaporte invalidado pela Polícia Federal.

O levantamento mostra ainda que o mandado mais antigo de Moraes não cumprido também está ligado ao 8 de Janeiro. Em julho de 2023, o ministro decretou a prisão de Marcos Alexandre Mataveli de Morais, ex-vice-prefeito de Pancas (ES), que permanece foragido.

O único mandado expedido por Fux foi assinado em dezembro de 2018, contra o italiano Paolo Colliva, acusado de tráfico de drogas em Milão. A ordem prevê prisão preventiva e extradição, mas o processo não está disponível para consulta pública.

Até os atos de 8 de Janeiro, ações penais no STF eram incomuns, restritas a autoridades com prerrogativa de foro. Os processos relacionados às invasões passaram à competência da Corte por envolverem ataques diretos ao tribunal e conexões com investigações já em curso.

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