Moraes autoriza reabertura de inquérito contra Bolsonaro por suspeita de interferência na PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Moraes autoriza reabertura de inquérito contra Bolsonaro por suspeita de interferência na PF

No despacho, o ministro deu prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste após o recebimento de novas informações. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Decisão atende a pedido da PGR, que vê necessidade de aprofundar apuração sobre uso da máquina pública

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou, nesta quinta-feira (16), a reabertura da investigação sobre a possível interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal.

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A decisão atende a um pedido enviado no dia anterior pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, que voltou atrás no arquivamento anteriormente solicitado e agora vê necessidade de novas diligências.

O caso foi aberto em 2020 após denúncia do senador e ex-ministro Sergio Moro (União-PR), denunciar publicamente tentativas de ingerência de Bolsonaro na PF, especialmente em investigações envolvendo familiares do então presidente.

Moro apontou que a substituição do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, teria como objetivo central garantir maior acesso a dados sigilosos, algo proibido por lei.

A reabertura ocorre após o avanço de apurações sobre o uso da estrutura do Estado para obtenção ilegal de dados e ataques a instituições — como no caso da chamada “Abin paralela”, suposta estrutura clandestina montada na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

“Imprescindível, portanto, que se verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-Ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”, disse Gonet na solicitação.

Entre os crimes investigados estão prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de Justiça e corrupção passiva privilegiada.

No despacho, Moraes acolheu o novo posicionamento do Ministério Público Federal (MPF) e autorizou as diligências requeridas. O ministro deu prazo de 15 dias para que a PGR se manifeste após o recebimento de novas informações.

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