Gonet pede reabertura de inquérito sobre Bolsonaro por suposta interferência na PF
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Gonet pede reabertura de inquérito sobre Bolsonaro por suposta interferência na PF

PGR afirma que só investigará ministros do STF no caso Master se houver indícios de crime

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

Apuração mira possível uso do Estado para acesso ilegal a investigações

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou nesta quarta-feira (15) ao Supremo Tribunal Federal (STF) a retomada das investigações sobre uma possível interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Polícia Federal durante seu governo. Confira o despacho: inq 4831

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O pedido, direcionado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, propõe que a Polícia Federal realize novas diligências, com foco na conexão dessa apuração com outras investigações relacionadas à chamada “Abin paralela”, suposta estrutura clandestina montada na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O inquérito foi aberto em abril de 2020, logo após a saída do senador Sérgio Moro (União-PR) do comando do Ministério da Justiça, quando o então ministro acusou Bolsonaro de tentar interferir no comando da Polícia Federal para obter informações sigilosas sobre investigações envolvendo o presidente, seus familiares e aliados.

Moro apontou que a substituição do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, teria como objetivo central garantir maior acesso a dados sigilosos, algo proibido por lei.

“Imprescindível, portanto, que se verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-Ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”, disse Gonet.

Embora a Polícia Federal tenha concluído, em março de 2022, que não houve crime por parte do ex-presidente nem do ex-ministro, a vice-procuradora-geral à época, Lindôra Araújo, recomendou o arquivamento do caso, afirmando não haver provas suficientes para sustentar a acusação.

Em maio de 2024, Moraes pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma reavaliação da decisão, dada a relevância e complexidade das questões envolvidas. Agora, Gonet defende que a apuração volte à PF.

O documento enviado ao STF destaca a importância de esclarecer se houve interferências “mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”.

Gonet ressalta ainda que as mensagens trocadas entre Bolsonaro e Moro, em abril de 2020, indicam uma motivação política para a troca no comando da PF, reforçando a necessidade de uma análise mais abrangente.

Além disso, a PGR considera fundamental verificar as conexões entre este inquérito e outros procedimentos que investigam uma rede de organização criminosa responsável por ataques sistemáticos a autoridades e instituições públicas, uso indevido de informações sigilosas e disseminação de notícias falsas.

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