Moradora da Favela do Moinho denuncia extorsão de até R$100 mil por grupo ligado ao PCC Áudio obtido pelo MP-SP mostra PCC cobrando até R$ 100 mil de famílias da Favela do Moinho. Irmã de “Léo do Moinho” foi presa por chefiar esquema.
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Moradora da Favela do Moinho denuncia extorsão de até R$100 mil por grupo ligado ao PCC

Proposta na Câmara quer classificar PCC e CV como grupos terroristas
Foto: Reprodução/Redes sociais

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Por Redação

Alessandra Moja Cunha, irmã de “Léo do Moinho”, é uma das pessoas presas

Um dos áudios analisados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) mostrou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Favela do Moinho, no Centro da capital paulista. A gravação revela que familiares de um traficante ligado à facção extorquiam até R$ 100 mil de moradores da comunidade.

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“Eles [criminosos] estão pedindo pra gente ter que dar uma… uma quantidade, uma certa quantidade de dinheiro, R$ 100 mil, é… R$ 70 mil”, diz uma mulher no áudio obtido pelo G1.

O material foi produzido antes da operação do Gaeco, que investiga a presença do PCC no local. A denunciante deverá prestar depoimento pessoalmente aos promotores.

Na última segunda-feira (8), a Polícia Militar e a Polícia Civil prenderam dez pessoas suspeitas de participar do esquema, que envolvia extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Entre os detidos estão parentes de Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, preso em 2024 por usar a comunidade para armazenar e vender drogas à Cracolândia.

A irmã dele, Alessandra Moja Cunha, foi apontada pelo Gaeco como responsável pela cobrança de propinas e pelo controle de cerca de 40 a 60 barracos na favela. Além disso, ela organizava protestos para dificultar operações policiais e fortalecer a influência do PCC.

“A gente bate panela, a gente… é… se chamar pra gente fazer… ir pra palestra, a gente vai, às vezes vai sem querer, mas vai”, disse a mulher no áudio, sobre a pressão sofrida para participar de manifestações.

A investigação mostra que o grupo cobrava propina de famílias que deveriam deixar a favela em razão do acordo com a CDHU. Pelo programa Minha Casa Minha Vida, os moradores receberiam R$ 250 mil de crédito habitacional e auxílio-aluguel de R$ 1.200 até o reassentamento. Mas, segundo os relatos, apenas quem pagava os valores exigidos pela facção conseguia avançar no processo de cadastro e assinatura dos documentos.

Quem se recusava ou não tinha condições de pagar era alvo de ameaças.

“A gente tá sendo ameaçado. É, a gente já chegou a ser ameaçado até de… tipo: ‘Ah, eu vou atrás de você, eu vou atrás de você e vou te achar’. Isso não é só comigo, isso é com várias mães, com várias pessoas”, disse a denunciante.

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