Alessandra Moja Cunha, irmã de “Léo do Moinho”, é uma das pessoas presas
Um dos áudios analisados pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) mostrou a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Favela do Moinho, no Centro da capital paulista. A gravação revela que familiares de um traficante ligado à facção extorquiam até R$ 100 mil de moradores da comunidade.
“Eles [criminosos] estão pedindo pra gente ter que dar uma… uma quantidade, uma certa quantidade de dinheiro, R$ 100 mil, é… R$ 70 mil”, diz uma mulher no áudio obtido pelo G1.
O material foi produzido antes da operação do Gaeco, que investiga a presença do PCC no local. A denunciante deverá prestar depoimento pessoalmente aos promotores.
Na última segunda-feira (8), a Polícia Militar e a Polícia Civil prenderam dez pessoas suspeitas de participar do esquema, que envolvia extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Entre os detidos estão parentes de Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, preso em 2024 por usar a comunidade para armazenar e vender drogas à Cracolândia.
A irmã dele, Alessandra Moja Cunha, foi apontada pelo Gaeco como responsável pela cobrança de propinas e pelo controle de cerca de 40 a 60 barracos na favela. Além disso, ela organizava protestos para dificultar operações policiais e fortalecer a influência do PCC.
“A gente bate panela, a gente… é… se chamar pra gente fazer… ir pra palestra, a gente vai, às vezes vai sem querer, mas vai”, disse a mulher no áudio, sobre a pressão sofrida para participar de manifestações.
A investigação mostra que o grupo cobrava propina de famílias que deveriam deixar a favela em razão do acordo com a CDHU. Pelo programa Minha Casa Minha Vida, os moradores receberiam R$ 250 mil de crédito habitacional e auxílio-aluguel de R$ 1.200 até o reassentamento. Mas, segundo os relatos, apenas quem pagava os valores exigidos pela facção conseguia avançar no processo de cadastro e assinatura dos documentos.
Quem se recusava ou não tinha condições de pagar era alvo de ameaças.
“A gente tá sendo ameaçado. É, a gente já chegou a ser ameaçado até de… tipo: ‘Ah, eu vou atrás de você, eu vou atrás de você e vou te achar’. Isso não é só comigo, isso é com várias mães, com várias pessoas”, disse a denunciante.
