Representante da favela já tinha condenação por homicídio e extorsão de moradores
O presidente Lula dividiu o palco, em junho, com Alessandra Moja Cunha, presa nesta segunda-feira (8) sob acusação de integrar o esquema criminoso comandado por seu irmão, Leonardo Moja, o “Léo do Moinho”, apontado como principal líder do PCC no centro de São Paulo.
De acordo com investigação da polícia, a presidente da Associação da Comunidade do Moinho era responsável por extorquir moradores que aceitavam o acordo do governo estadual para deixar a favela. Em alguns casos, a cobrança da facção criminosa chegava a R$ 100 mil. Foi essa associação que tratou sobre a ida do presidente Lula à favela, informou o Metrópoles.
A operação que levou à prisão de Alessandra foi deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio da Polícia Militar e da Polícia Civil, dentro da investigação batizada de Sharpe.
Segundo o MPSP, Alessandra também controlava o grupo que exigia propina de famílias cadastradas na Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), liberando os registros apenas após pagamento à família Moja. O órgão afirma ainda que a líder comunitária arrecadava recursos ilegais para operações de lavagem de dinheiro.
Além de Alessandra, a filha dela, Yasmin Moja Cunha, também foi presa. Yasmin participou de reuniões com representantes do governo federal durante tratativas para a desocupação da área.
Apesar de se apresentar como porta-voz da comunidade em entrevistas e manifestações, Alessandra já tinha antecedentes criminais. Em 2015, foi condenada a oito anos de prisão pelo assassinato de Claudice Terra Rufino, cometido em 2005 dentro da favela. Na ocasião, ela e a irmã, Renata Moja Cunha, atacaram a vítima a facadas enquanto dormia. Alessandra também foi acusada de tentar matar o ex-namorado de Renata, Everton da Silva, na mesma noite.
Dias antes da visita de Lula ao Moinho, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Márcio Macêdo, reuniu-se com a liderança da Associação da Comunidade do Moinho para preparar o evento.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República negou que Alessandra tenha sido a interlocutora oficial. Segundo o Planalto, “neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea”.