Mesmo após o governo Lula receber denúncias de irregularidades em março de 2024, o INSS continuou autorizando entidades suspeitas a descontarem aposentadorias. Em julho, o instituto flexibilizou as regras de segurança, facilitando os descontos de mais 180 mil benefícios em um mês.
Em março de 2024, a Controladoria-Geral da União (CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU) alertou o governo sobre possíveis fraudes e recomendou a suspensão de descontos de aposentadorias e pensões que iriam para associações e entidades.
Como medida de prevenção, o INSS anunciou que um sistema de segurança robusto seria feito para evitar fraudes e que os descontos para as entidades seria suspenso até sua implementação.
Em julho, a pedido das entidades, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, autorizou que novos descontos fossem aprovados por um sistema de próprio das associações. Dispensando reconhecimento facial, assinaturas ou biometria dos aposentados.
Foi então que o “modo turbo” foi acionado, as entidades passaram fazer descontos em massa até o novo sistema do INSS ser entregue. Em setembro, apenas a ANDDAP falsificou a assinatura de 184 mil pessoas. Amar Brasil ABCB retirou dinheiro de 39 mil aposentados e Masterprev de 15 mil.
Há milhares processos judiciais e reclamações na internet sobre desvios não autorizados contra essas entidades. Na plataforma criada para que os segurados contestem os descontos, mais de 99% afirmam que não autorizaram.
A defesa de Alessandro Stefanutto disse que, enquanto ele esteve à frente do INSS, adotou todas as medidas cabíveis dentro dos limites legais e operacionais para garantir a segurança e a regularidade dos descontos nos benefícios.
A entidades citadas não deram retorno.
