Mauro Cid acusa PGR de deslealdade e pede absolvição no STF - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Mauro Cid acusa PGR de deslealdade e pede absolvição no STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Defesa de Cid diz que ex-ajudante foi traído após colaboração

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid apresentou nesta terça-feira (29) suas alegações finais ao Supremo Tribunal Federal e pediu a absolvição do militar. Segundo os advogados, Cid foi “traído” pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que teria se valido da colaboração para depois pedir sua condenação.

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No documento de 78 páginas, os advogados afirmam que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro foi transformado em “instrumento de acusação”, descartado após prestar informações consideradas úteis pelas autoridades.

Leia a íntegra das Alegações FInais de Mauro Cid

“Tal atitude \[…] configura-se como verdadeira deslealdade processual por parte do órgão acusador”, escreveram os defensores.

A defesa sustenta que Cid não tinha poder de decisão e agia como assessor hierarquicamente subordinado. “Suas ações, ainda que administrativamente relevantes, não se confundem com atos típicos de golpe de Estado.”

Os advogados também pedem o reconhecimento do cumprimento do acordo de colaboração premiada, afirmando que Cid revelou fatos como reuniões em que se discutiram estado de sítio, GLO e novas eleições.

O documento reitera que Cid jamais teve conhecimento de planos como o “Punhal Verde e Amarelo” e não poderia ser penalizado por não relatar algo que desconhecia.

A defesa afirma que, ao colaborar, o militar enfrentou resistência de antigos aliados e se colocou em “posição de extrema vulnerabilidade”.

A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, pediu a condenação de Mauro Cid, mas sugeriu que ele tenha a pena reduzida em um terço, alegando que o ex-ajudante omitiu informações relevantes.

O procurador-geral Paulo Gonet sustenta que Cid participou da organização de reuniões com militares e teve papel ativo em encontros descritos como clandestinos.

Os advogados rebatem, dizendo que o militar não pode ser punido “por sua posição simbólica” ou “proximidade com o poder”. Segundo a defesa, o Ministério Público “inverteu a lógica do sistema penal”.

Ao final, a defesa pede à Corte que reconheça a colaboração de Cid como ato de coragem e ética, com direito à concessão do perdão judicial.

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