Defesa afirma que Cid é alvo de campanha de retaliação e pede reconhecimento de sua colaboração
A defesa do tenente-coronel Mauro Cid protocolou no STF, na última terça-feira (22), as alegações finais no processo em que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro é acusado de participação na suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Os advogados pedem absolvição e afirmam que Cid agiu apenas “no cumprimento de ordens superiores”, sem intenção de atacar a democracia. A defesa também sustentou que Cid permanece sento atacado nas redes sociais por meio de uma “campanha de retaliação moral e psicológica”.
Os advogados também pedem que, caso haja condenação, seja concedido perdão judicial, alegando que Cid colaborou com as investigações e pagou alto preço pessoal.
“Essa dissidência incomum e corajosa teve consequências concretas. Tais ataques ocorreram de diversas formas reiteradas e coordenadas; tanto através de redes sociais, meios alternativos de comunicação e articulações político-institucionais, numa verdadeira campanha de retaliação moral e psicológica, tal qual tem sido vítima também o próprio Ministro Relator e essa Corte”, afirma o texto do delator.
No documento, a defesa afirmou que Cid “não pertenceu, integrou ou organizou qualquer associação criminosa voltada para abalar as instituições democráticas” e que jamais praticou atos que configurassem ruptura institucional.
O texto afirma que o militar se limitava a funções administrativas e cerimoniais, sem participação em planejamento político.
“Dentro de um quadro de dezenas de acusados, ninguém teve a coragem de Mauro Cid. Isolou-se, perdeu aqueles que considerava seus amigos, a convivência em sociedade, o exercício de sua profissão, foi e continua sendo taxado de traidor”, diz o documento.
Apesar da argumentação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra o perdão. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Cid apresentou uma narrativa seletiva, omitiu fatos graves e descumpriu obrigações do acordo de colaboração, defendendo apenas a redução de um terço da pena.
A defesa ainda criticou a forma como trechos da delação premiada foram divulgados, alegando distorções usadas para sustentar acusações. No acordo firmado com a Polícia Federal, estava previsto perdão judicial ou pena inferior a dois anos, mas o parecer da PGR enfraquece essa possibilidade.
