Defesa de Mauro Cid pede absolvição e nega participação em suposta tentativa de golpe - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa de Mauro Cid pede absolvição e nega participação em suposta tentativa de golpe

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Por Redação

Defesa afirma que Cid é alvo de campanha de retaliação e pede reconhecimento de sua colaboração

A defesa do tenente-coronel Mauro Cid protocolou no STF, na última terça-feira (22), as alegações finais no processo em que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro é acusado de participação na suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

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Os advogados pedem absolvição e afirmam que Cid agiu apenas “no cumprimento de ordens superiores”, sem intenção de atacar a democracia. A defesa também sustentou que Cid permanece sento atacado nas redes sociais por meio de uma “campanha de retaliação moral e psicológica”.

Os advogados também pedem que, caso haja condenação, seja concedido perdão judicial, alegando que Cid colaborou com as investigações e pagou alto preço pessoal.

“Essa dissidência incomum e corajosa teve consequências concretas. Tais ataques ocorreram de diversas formas reiteradas e coordenadas; tanto através de redes sociais, meios alternativos de comunicação e articulações político-institucionais, numa verdadeira campanha de retaliação moral e psicológica, tal qual tem sido vítima também o próprio Ministro Relator e essa Corte”, afirma o texto do delator.

No documento, a defesa afirmou que Cid “não pertenceu, integrou ou organizou qualquer associação criminosa voltada para abalar as instituições democráticas” e que jamais praticou atos que configurassem ruptura institucional.

O texto afirma que o militar se limitava a funções administrativas e cerimoniais, sem participação em planejamento político.

“Dentro de um quadro de dezenas de acusados, ninguém teve a coragem de Mauro Cid. Isolou-se, perdeu aqueles que considerava seus amigos, a convivência em sociedade, o exercício de sua profissão, foi e continua sendo taxado de traidor”, diz o documento.

Apesar da argumentação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou contra o perdão. O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que Cid apresentou uma narrativa seletiva, omitiu fatos graves e descumpriu obrigações do acordo de colaboração, defendendo apenas a redução de um terço da pena.

A defesa ainda criticou a forma como trechos da delação premiada foram divulgados, alegando distorções usadas para sustentar acusações. No acordo firmado com a Polícia Federal, estava previsto perdão judicial ou pena inferior a dois anos, mas o parecer da PGR enfraquece essa possibilidade.

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