O advogado constitucionalista André Marsiglia comentou, por meio das redes sociais, o indiciamento de Eduardo Tagliaferro. O ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi acusado pela Polícia Federal (PF) de violação de sigilo funcional com dano à administração pública por supostamente repassar informações confidenciais a jornalistas da Folha de S.Paulo.
O conteúdo sugeria que o ministro Alexandre de Moraes teria usado seu cargo no TSE, fora do rito, para municiar inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).
No post publicado no X, Marsiglia destacou que o artigo 325 do Código Penal prevê punição para quem revela segredo obtido em razão da função que ocupa. No entanto, argumentou que as informações acessadas por Tagliaferro estariam relacionadas a atos oficiais que teriam violado ritos e possivelmente direitos de cidadãos.
“O interesse público, nesse caso, está ao lado de quem revela o indevido segredo, não de quem o guarda. Por esse prisma, não seria cabível a punição”, afirmou o advogado, que é colunista deste site.
Outro ponto levantado por Marsiglia diz respeito à forma como a PF teria identificado Tagliaferro como fonte dos jornalistas. Ele ressaltou que a Constituição garante o sigilo da fonte (art. 5º, inciso XIV) e questionou se esse direito foi respeitado durante a investigação. “Caso esse sigilo não tenha sido respeitado, são nulos todos os atos praticados”, enfatizou o professor.
Marsiglia também abordou o conteúdo das informações supostamente vazadas pelo ex-assessor. Para ele, o fato de a PF considerar que houve um vazamento indica que as informações eram verdadeiras, o que levanta a necessidade de uma apuração mais ampla.
“Se parte do conteúdo sugere atos oficiais que não seguiram trâmites corretos, os atos também devem ser investigados”, ponderou.
Confira a íntegra do post de Marsiglia:
🚨A PF indiciou Tagliaferro por violação de sigilo funcional, ao transmitir informações sigilosas a jornalistas da Folha. Algumas considerações jurídicas:
1) O art 325 do Código Penal pune quem revela segredo em razão da função que exerce. O ponto aqui é que as informações a que…
— Andre Marsiglia (@marsiglia_andre) April 2, 2025
