Vereador do PT preso por suspeita de elo com o PCC alegou pobreza em ação de IPTU
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Política

Vereador do PT preso por suspeita de elo com o PCC alegou pobreza em ação de IPTU

Investigação aponta movimentação de R$ 4,3 milhões; defesa afirma que parlamentar provará inocência

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O vereador de São Paulo Senival Moura (PT), preso na quinta-feira (26) durante operação contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), declarou não possuir condições financeiras para arcar com as despesas de uma ação judicial que cobra uma dívida de IPTU. A informação consta em processo no qual o parlamentar busca afastar a cobrança do imposto sobre um imóvel localizado em Guaianases, na zona leste da capital.

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“Pois bem, o Embargante passa por dificuldades financeiras não possuindo condições de arcar com as despesas processuais sem prejuízo de seu próprio sustento e de sua família”, afirma o documento.

Segundo a investigação da Polícia Civil, Moura é suspeito de movimentar R$ 4,3 milhões em um esquema que teria utilizado a empresa Transunião Transportes S.A. para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas. A defesa nega qualquer irregularidade.

O pedido apresentado à Justiça ocorreu em 2025, no âmbito de uma execução fiscal referente a aproximadamente R$ 69 mil de IPTU acumulados entre 2006 e 2018. Na ação, o vereador afirmou não possuir recursos para suportar os custos do processo e sustentou que o imóvel estaria localizado em área sujeita a enchentes, circunstância que, segundo sua argumentação, permitiria isenção ou remissão do tributo com base na legislação municipal.

A execução fiscal foi iniciada em maio de 2022, período que, segundo o relatório da Polícia Civil, coincide com o último pagamento supostamente identificado pelos investigadores ao parlamentar dentro do esquema sob apuração.

As investigações apontam que Senival Moura exerceria o chamado “controle fático” da Transunião Transportes S.A., empresa concessionária responsável por operar cerca de 50 linhas de ônibus na zona leste de São Paulo.

De acordo com a Polícia Civil, a empresa teria sido utilizada em uma estrutura financeira destinada, em tese, à lavagem de dinheiro de organização criminosa ligada ao PCC. Os investigadores afirmam que o vereador seria o “principal responsável pela instrumentalização” da companhia.

O inquérito também descreve uma série de alterações societárias realizadas entre 2015 e 2019. Nesse período, o capital social da empresa teria aumentado de R$ 100 mil para R$ 50 milhões, processo que, segundo os investigadores, permitiu à concessionária atender às exigências para disputar licitações do transporte público municipal.

Outro ponto destacado pela investigação envolve a propriedade de veículos utilizados no sistema de transporte coletivo. Conforme o relatório policial, Senival Moura seria proprietário de ônibus registrados em cooperativas do setor.

Durante as diligências, os investigadores apreenderam planilhas digitais que diferenciavam os proprietários formais dos veículos — identificados como “cooperados” — dos chamados “cooperados oficiais”, apontados como os beneficiários econômicos reais da frota.

A operação que resultou na prisão do vereador integra uma investigação mais ampla sobre a suposta infiltração do PCC em empresas concessionárias do transporte público paulista e apura possíveis crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.

Em nota encaminhada à imprensa, a defesa de Senival Moura negou qualquer participação em atividades criminosas e afirmou que a investigação demonstrará “a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”. Os advogados também sustentam que o parlamentar não exerce funções de gestão na empresa investigada há vários anos e que colaborará com as autoridades durante o processo.

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