Em fala contraditória, Moraes critica inquéritos baseados em notícias ‘plantadas’
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Justiça

Em fala contraditória, Moraes critica inquéritos baseados em notícias ‘plantadas’

Ministro do STF questionou uso de reportagens como base para investigações

Inquérito das fake news completa 7 anos no STF
Foto: Fellipe Sampaio /STF

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Por Redação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, nesta quinta-feira (25), que a abertura de inquéritos civis com base em notícias divulgadas pela imprensa, especialmente quando originadas de informações repassadas informalmente por integrantes do Ministério Público, pode distorcer o propósito das investigações.

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A declaração foi dada durante julgamento sobre mudanças na Lei de Improbidade Administrativa. Segundo o ministro, há situações em que membros do Ministério Público repassam dados “em off” a veículos de imprensa e, após a publicação, utilizam o próprio conteúdo jornalístico como fundamento para instaurar procedimentos investigatórios.

“Há inquéritos civis que são instaurados, hoje diminuiu um pouco, mas o membro do Ministério Público tem uma notícia, aí ele passa em off para a imprensa, a imprensa publica, e ele instaura o inquérito civil com a notícia de jornal que ele plantou”, disse.

Moraes avaliou que esse tipo de prática pode levar à abertura de investigações sem elementos concretos, o que, segundo ele, tem impacto especialmente sensível quando envolve agentes públicos ou políticos, principalmente em períodos eleitorais.

“O impacto de uma investigação no inquérito civil é muito grande. Para qualquer pessoa já é grave, e para um agente público ou político, às vésperas de eleição, é ainda mais sério”, afirmou o ministro.

Ele também defendeu o fortalecimento dos mecanismos de controle interno do MP, alegando que, em muitos casos, a revisão das decisões acaba sendo meramente formal.

A fala, no entanto, foi apontada por críticos como contraditória. Entre os exemplos citados está o caso do ex-assessor da Presidência Filipe Martins, cuja prisão preventiva em 2024 teve entre seus elementos uma informação veiculada inicialmente pela imprensa e posteriormente contestada pela defesa, que apresentou documentos negando a versão divulgada.

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