O vereador de São Paulo Senival Moura (PT) foi preso na Operação Última Parada, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião Transportes S.A. As investigações do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que o parlamentar chegou a ser condenado à morte pela facção, mas teria sido poupado por causa de sua influência política e institucional.
Segundo a apuração, a decisão do PCC ocorreu após uma auditoria interna da organização identificar o desaparecimento de aproximadamente R$ 15 milhões que circulavam na estrutura paralela instalada dentro da empresa. Documentos conhecidos como “salves” registrariam a condenação tanto de Senival Moura quanto de Adauto Soares Jorge, então dirigente da Transunião.
De acordo com os investigadores, Adauto foi executado em 2020 após decisão do chamado “tribunal do crime”. Já Senival teria permanecido vivo porque sua permanência no sistema de transporte era considerada estratégica para os interesses da facção. O Ministério Público sustenta que sua influência política e capacidade de articulação junto ao poder público pesaram na decisão.
As investigações afirmam ainda que parte dos recursos desviados teria sido utilizada para abastecer um caixa paralelo destinado à campanha de reeleição do vereador em 2020. Mesmo diante dessa suspeita, os investigadores sustentam que o parlamentar permaneceu útil para a organização criminosa por sua posição dentro do sistema municipal de transporte.
Segundo a Polícia Civil, após a morte de Adauto, a estrutura de comando da Transunião foi reorganizada. Lourival de França Monário, conhecido como “Orelha” ou “Lori”, teria assumido a presidência da empresa, enquanto Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, apontado como executor de Adauto, passou à diretoria. Ambos figuram entre os investigados.
A operação também apura a utilização da Transunião para lavagem de dinheiro do PCC. Conforme o Ministério Público, a empresa opera 51 linhas de ônibus na Zona Leste de São Paulo e recebeu mais de R$ 300 milhões em repasses do sistema municipal de transporte apenas em 2025. A suspeita é de que parte desses recursos fosse desviada para abastecer o caixa da facção.
Os investigadores afirmam que a empresa mantinha uma estrutura paralela de decisões financeiras, responsável por autorizar pagamentos e movimentações de grandes valores em favor de integrantes da organização criminosa. A aparência de regularidade da concessionária teria servido para ocultar as operações ilícitas.
A investigação também aponta crescimento patrimonial considerado incompatível com a renda declarada por Senival Moura. Relatórios de inteligência financeira indicam movimentação aproximada de R$ 4,4 milhões entre 2019 e 2022, com diferença patrimonial superior a R$ 2,4 milhões sem origem financeira identificada pelos investigadores.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias dos investigados, além do sequestro de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações. A Prefeitura de São Paulo informou que aguarda comunicação formal da decisão para adotar as medidas administrativas cabíveis em relação à Transunião.
O diretório municipal do PT declarou que “não compactua com o crime organizado” e informou acompanhar o andamento das investigações. A legenda afirmou que aguarda o avanço das apurações antes de adotar novas manifestações oficiais.
As conclusões apresentadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil representam a linha de investigação das autoridades e serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa ao longo do processo judicial.
