Em coletiva com jornalistas nesta terça-feira (3), o presidente Lula criticou a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA e afirmou que o deputado age contra o próprio país. “O cidadão que é deputado pede licença do seu mandato para tentar ficar lambendo as botas do Trump e de assessor do Trump, pedindo intervenção na política brasileira. Então, não é possível aceitar isso“, disse.
Eduardo pediu licença de seis meses da Câmara dos Deputados para se exilar nos EUA, alegando perseguição política. Desde sua ida, o governo americano tem ameaçado autoridades brasileiras com sanções por “censura”.
Lula avaliou a articulação de sanções como “prática terrorista”. Um inquérito, a pedido do governo, foi aberto pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o deputado federal.
“É lamentável que um deputado brasileiro, filho do ex-presidente, esteja lá a convocar os Estados Unidos a se meter na política interna do Brasil. É isso que é grave”, advertiu.
O petista também criticou a gestão Trump por tentar “interferir” no Supremo Tribunal Federal, declarando que os EUA devem respeitar as instituições brasileiras. “É inadmissível que um presidente de qualquer país do mundo dê palpite sobre a decisão da Suprema Corte de um outro país. Se você concorda ou não concorda, silencie. Porque não é correto dar palpite.”
A fala de Lula fez referência a um ofício que o Brasil recebeu dos EUA, mencionando as decisões de Alexandre de Moraes que prejudicaram plataformas digitais. O Ministério da Justiça informou que o documento é simbólico e não dará resposta ou encaminhamento.
“O Brasil vai defender não só seu ministro [Moraes], como também a Suprema Corte”, afirmou.
