O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta manhã (22) que o Brasil poderá adotar a Lei da Reciprocidade contra os EUA em resposta à tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros. No entanto, segundo ele, a decisão será tomada com cautela e apenas “quando for necessário”.
“Gosto de dizer que se você for adotar a reciprocidade, você precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo, porque senão você perde o controle, o domínio da negociação. O Brasil tem esse instrumento, vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”, afirmou Rosa em entrevista à Rádio Bandeirantes.
A Lei de Reciprocidade Econômica permite que o governo brasileiro aplique contramedidas contra ações unilaterais de outros países ou blocos econômicos que prejudiquem a competitividade nacional. Entre as possibilidades estão restrições comerciais e a suspensão de direitos de propriedade intelectual.
A declaração ocorre após a entrada em vigor da nova tarifa dos EUA, que deve atingir US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras. O ministro afirmou que Brasil e Estados Unidos realizaram mais de 30 reuniões ao longo de 30 dias para discutir os termos da medida, mas avaliou que a decisão americana não refletiu as negociações feitas entre os países.
“O Brasil negociou, foram mais de 30 reuniões. Em todas as reuniões alguma proposta e alguma discussão. Mas é difícil demover quando a outra parte tem dificuldade para se conectar com a realidade”, disse.
Segundo dados de 2025, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 38 bilhões. Com base nesse valor, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que o impacto da tarifa de 25% alcance US$ 7,2 bilhões, equivalente a 18,9% das vendas brasileiras ao mercado americano.