Presidente afirma que ativistas foram presos ilegalmente em águas internacionais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou, na tarde desta segunda-feira (6), como “absurda” a detenção de cidadãos brasileiros que participavam de uma flotilha — um pequeno grupo de embarcações — com destino à Faixa de Gaza, interceptada por Israel. A comitiva, identificada como “Flotilha Global Sumud”, tinha como objetivo levar ajuda humanitária à população palestina.
Em pronunciamento publicado nas redes sociais, Lula afirmou que o governo israelense violou normas do direito internacional ao impedir a passagem dos ativistas em águas internacionais e ao mantê-los detidos em seu território.
“Desde a primeira hora, dei o comando ao nosso Ministério das Relações Exteriores para que preste todo o auxílio para garantir a integridade dos nossos compatriotas e use todas as ferramentas diplomáticas e legais, junto ao Estado de Israel, para que essa situação absurda se encerre o quanto antes e possibilite aos integrantes brasileiros da flotilha regressarem a nosso país em plena segurança”, declarou o petista
Detidos no presídio de Ketziot, em Israel
Enquanto a mobilização internacional segue em curso, o Itamaraty realizou, na manhã de hoje, uma nova visita consular aos 13 brasileiros — cinco mulheres e oito homens — detidos no presídio de Ketziot.
Na semana passada, durante visita da embaixada brasileira em Tel Aviv, autoridades israelenses ofereceram aos detidos a possibilidade de assinatura de um termo que aceleraria o processo de deportação. No entanto, o documento pode implicar o reconhecimento de uma suposta ilegalidade na entrada dos ativistas no território. Aqueles que optarem por não assinar poderão enfrentar um processo judicial mais longo.
Até o momento, cinco brasileiros aceitaram a proposta. Um deles já foi deportado e deve chegar ao Brasil ainda hoje. Entre os detidos está também a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE), o que confere maior complexidade política ao caso.
Mobilização brasileira
A situação tem mobilizado os Poderes da República. Na semana passada, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se com deputados brasileiros para tratar do tema. Durante sessão na Câmara, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), também cobrou empenho da Pasta internacional.
Em comunicado oficial, o governo brasileiro já havia condenado veementemente a interceptação da flotilha, classificando a detenção como arbitrária e ilegal. A nota destacou que a missão humanitária foi conduzida em conformidade com as normas internacionais e que sua interceptação viola a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, além de afrontar obrigações consulares estabelecidas pela Convenção de Viena (1963).
