Um grupo de 13 servidores concursados em altos cargos da Câmara dos Deputados recebeu R$ 9,3 milhões apenas em horas extras desde 2016, em valores corrigidos pela inflação.
Os pagamentos, considerados verba extraordinária, ficam fora do teto constitucional do funcionalismo. Em diversos casos, os ganhos mensais com horas extras ultrapassaram R$ 20 mil e chegaram a mais de R$ 30 mil, segundo apuração do Metrópoles.
Para alcançar esses valores, os servidores precisariam cumprir o limite máximo de horas extras durante a semana e também trabalhar em fins de semana e feriados.
O levantamento foi feito com base em dados públicos da própria Câmara, disponíveis nos contracheques dos servidores. O grupo reúne os 13 funcionários que mais receberam valores desse tipo no período.
O maior valor foi pago ao advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes, que acumulou R$ 1.062.774,22 desde 2016. Apenas em 2025, ele recebeu R$ 174,6 mil em horas extras. Em 2019, o valor foi de R$ 150,3 mil.
Na sequência, aparece o diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil no período. Em 2025, ele recebeu R$ 160,7 mil em horas extras. Brandão ocupa o cargo desde agosto de 2025.
Os valores de anos anteriores foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do IBGE.
Em nota, a Câmara afirmou que os pagamentos decorrem de “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas” e que há controle por sistema eletrônico biométrico.
“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico. A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, informou a Casa.
