O diretor-geral da Câmara dos Deputados, Guilherme Barbosa Brandão, recebeu R$ 22.931,04 em horas extras apenas em março deste ano. Para atingir esse valor, seria necessário cumprir o limite de 2 horas extras por dia útil e, ainda assim, manter jornadas entre 18 e 25 horas diárias nos fins de semana.
A informação é do site Metrópoles. Outros integrantes da cúpula da Câmara dos Deputados também registraram ganhos elevados com horas extras.
De acordo com o portal, o advogado-adjunto Daniel Borges de Morais recebeu R$ 17.178,61 no mesmo mês. Mesmo com o teto semanal permitido, o valor pago supera em cerca de R$ 5,1 mil o que seria possível alcançar apenas com a carga regular.
O diretor administrativo Mauro Limeira Mena Barreto teve R$ 21.807,56 registrados como remunerações eventuais. Para chegar ao total, seria necessário somar horas extras diárias e ainda cumprir cerca de 35 horas de trabalho nos fins de semana.
Levantamento do Metrópoles aponta que cerca de 70 servidores da Câmara receberam mais de R$ 10 mil em horas extras.
Guilherme Brandão ocupa o cargo desde agosto de 2025, indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Servidor de carreira, ele responde pela gestão administrativa da Casa.
Pagamentos elevados também alcançam outras áreas. Em dezembro, o coordenador da Comissão Permanente de Disciplina, Thiago de Matos Lauria, recebeu R$ 22 mil em remunerações eventuais.
Os valores acumulados chamam atenção. Desde 2023, Daniel Borges de Morais soma R$ 428 mil em horas extras. Só em 2025, foram R$ 171,4 mil.
Outros nomes da cúpula também concentram valores altos neste ano: Brandão soma R$ 157,8 mil; Mena Barreto, R$ 151,7 mil; e Sebastião Neiva Filho, R$ 134 mil.
O maior pagamento em um único mês foi registrado por Borges: R$ 33,5 mil em dezembro de 2024, valor superior ao próprio salário, de R$ 33,3 mil.
Pelas regras, mesmo com horas extras noturnas diárias, ele poderia receber até R$ 11,1 mil adicionais. Para atingir o valor pago, seria necessário trabalhar todos os dias, incluindo fins de semana e feriados como o Natal.
Ao Metrópoles, a Câmara afirmou que os servidores cumprem “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas”.
