Gayer tenta barrar decreto Lulista de “vigilância” nas redes
Brasília, Segunda, 20 de julho de 2026
Política

Gayer tenta barrar decreto Lulista de “vigilância” nas redes

Deputado protocolou PDL contra regras que ampliam monitoramento de conteúdos e poderes da ANPD sobre plataformas digitais

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O deputado federal Gustavo Gayer protocolou hoje (21) um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para suspender trechos do Decreto nº 12.975/2026, editado pelo governo Lula para regulamentar o “Marco Civil da Internet”.

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O parlamentar sustenta que o decreto criou obrigações inéditas para plataformas digitais sem autorização do Congresso Nacional e instituiu mecanismos permanentes de monitoramento de conteúdos.

A proposta apresentada por Gayer pede a suspensão parcial de dispositivos que tratam de “riscos sistêmicos”, deveres de supervisão ativa, mecanismos de prevenção e ampliação de competências regulatórias da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Na justificativa do projeto, o deputado afirma que o decreto “exorbita do poder regulamentar” ao impor deveres que não foram aprovados pelo Legislativo.

Segundo o texto, o governo criou “obrigações normativas inéditas, mecanismos permanentes de monitoramento e estruturas regulatórias sem autorização legislativa específica”.

O PDL afirma ainda que o Marco Civil da Internet não prevê “dever geral de monitoramento prévio de conteúdos por plataformas digitais”.

Gayer argumenta que o decreto passou a exigir que plataformas “monitorem, identifiquem, avaliem e geriam, de forma diligente, os riscos sistêmicos” relacionados à circulação de conteúdos considerados ilícitos.

O parlamentar também questiona o uso de conceitos considerados amplos e subjetivos no texto do governo, como “falha sistêmica”, “medidas adequadas de prevenção” e obrigação de “inibir a circulação massiva” de conteúdos.

Segundo a justificativa, esses termos poderiam incentivar moderação excessiva e remoção preventiva de conteúdos políticos, críticos e opinativos.

O documento menciona ainda risco de “censura privada preventiva”, fenômeno chamado internacionalmente de “overblocking”, quando plataformas removem conteúdos em excesso para evitar sanções regulatórias.

Outro ponto questionado pelo projeto envolve a ampliação das atribuições da ANPD.

O texto afirma que o decreto transformaria a autoridade em uma espécie de órgão regulador geral da internet, apesar de a Lei Geral de Proteção de Dados prever atuação restrita à proteção de dados pessoais e privacidade.

“A ANPD foi instituída […] com finalidade específica relacionada à proteção de dados pessoais e da privacidade, não lhe tendo sido conferida competência legal para atuar como agência reguladora geral da internet ou autoridade nacional de supervisão de conteúdos digitais”, diz o projeto.

O deputado também cita preocupação com dispositivos relacionados aos crimes contra o Estado Democrático de Direito previstos no Código Penal.

Segundo o texto, o uso dessas tipificações como fundamento para monitoramento preventivo de conteúdos pode gerar “restrições desproporcionais à liberdade de expressão”.

Nas redes sociais, Gustavo Gayer afirmou que o projeto não revoga dispositivos relacionados ao combate ao terrorismo, exploração sexual infantil, tráfico de pessoas, violência contra mulheres ou outros crimes graves no ambiente digital.

O foco do PDL, segundo o parlamentar, está nos trechos ligados ao “dever geral de monitoramento”, supervisão preventiva de conteúdos e ampliação de poderes regulatórios do governo sobre plataformas digitais.

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