Fux a Gilmar: 'Agora pode falar sem cometer infrações'
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Fux provoca Gilmar: ‘agora ele pode falar dos votos sem cometer infrações’

Luiz Fux aponta ausência de elementos para caracterizar organização criminosa na ação penal
ux cita “tsunami de dados”, acolhe alegação de cerceamento de defesa e declara nulidade da ação contra Bolsonaro no STF

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

Declaração de Fux ocorre após Gilmar criticar seu voto no julgamento de Bolsonaro e o chamar de “figura lamentável” nos bastidores

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux afirmou há pouco que, agora que será colega de Gilmar Mendes na 2ª Turma da Corte, o decano “pode falar dos votos proferidos sem cometer infrações previstas na Lei Orgânica da Magistratura”.

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A declaração foi dada em entrevista à jornalista Malu Gaspar, do O Globo, e ocorre após Gilmar criticar publicamente o voto de Fux no julgamento que envolveu Jair Bolsonaro e a chamada “trama golpista”.

Na semana passada, Gilmar afirmou, ao comentar o caso, que o “voto do ministro Fux está preenchido de incoerências”: “Porque, a meu ver, se não houve golpe, não deveria ter havido condenação. Condenar o Cid e o Braga Netto e deixar todos os demais de fora parece uma contradição nos próprios termos”, disse o decano a jornalistas durante a inauguração da nova sede do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual é sócio, em São Paulo.

O episódio havia sido mencionado na última terça (21) de forma indireta por Fux durante o julgamento do “núcleo 4” da suposta trama golpista e agora foi confirmado diretamente. A fala desta quarta também ocorre após relatos de uma discussão entre os ministros nos corredores da Corte, em que Gilmar teria chamado Fux de “figura lamentável”.

No julgamento do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão, Fux votou pela absolvição. Segundo o ministro, Bolsonaro apenas cogitou medidas, e “não aconteceu nada”. Para ele, a mera cogitação não seria suficiente para justificar condenação.

Sobre as acusações de responsabilidade pelo 8 de Janeiro, o magistrado classificou como “ilações” da Procuradoria-Geral da República (PGR) a suposta ligação de Bolsonaro com os atos.

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