Declaração de Fux ocorre após Gilmar criticar seu voto no julgamento de Bolsonaro e o chamar de “figura lamentável” nos bastidores
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux afirmou há pouco que, agora que será colega de Gilmar Mendes na 2ª Turma da Corte, o decano “pode falar dos votos proferidos sem cometer infrações previstas na Lei Orgânica da Magistratura”.
A declaração foi dada em entrevista à jornalista Malu Gaspar, do O Globo, e ocorre após Gilmar criticar publicamente o voto de Fux no julgamento que envolveu Jair Bolsonaro e a chamada “trama golpista”.
Na semana passada, Gilmar afirmou, ao comentar o caso, que o “voto do ministro Fux está preenchido de incoerências”: “Porque, a meu ver, se não houve golpe, não deveria ter havido condenação. Condenar o Cid e o Braga Netto e deixar todos os demais de fora parece uma contradição nos próprios termos”, disse o decano a jornalistas durante a inauguração da nova sede do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), do qual é sócio, em São Paulo.
O episódio havia sido mencionado na última terça (21) de forma indireta por Fux durante o julgamento do “núcleo 4” da suposta trama golpista e agora foi confirmado diretamente. A fala desta quarta também ocorre após relatos de uma discussão entre os ministros nos corredores da Corte, em que Gilmar teria chamado Fux de “figura lamentável”.
No julgamento do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses de prisão, Fux votou pela absolvição. Segundo o ministro, Bolsonaro apenas cogitou medidas, e “não aconteceu nada”. Para ele, a mera cogitação não seria suficiente para justificar condenação.
Sobre as acusações de responsabilidade pelo 8 de Janeiro, o magistrado classificou como “ilações” da Procuradoria-Geral da República (PGR) a suposta ligação de Bolsonaro com os atos.
