Enrique Lewandowski é defensor da Terra Nova Trading alvo de operações
Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é advogado da Terra Nova Trading, empresa investigada por ligação a um esquema bilionário associado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), segundo apuração do Metrópoles.
A apuração conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), Polícia Federal (PF) e Receita Federal revelou conexões entre a facção criminosa, o setor de combustíveis e instituições financeiras. O caso foi exposto na Operação Carbono Oculto.
Enrique Lewandowski aparece em processos na Justiça como representante da Terra Nova Trading. Segundo a PF, a empresa foi usada para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro para o crime organizado.
As investigações apontam que a Terra Nova era controlada por Mohamad Hussein Mourad, classificado pelo MPSP como “epicentro das operações”. Por meio da companhia, Mourad importava nafta com imposto reduzido (1% contra 25% em São Paulo), barateando ilegalmente a produção de combustíveis.
Enrique Lewandowski figura como advogado da Terra Nova em ação tributária no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), com último andamento em 2019. Também aparece em processo no Tribunal de Justiça de São Paulo, de 2021.
Até a última atualização, nem Enrique, nem o ministro Ricardo Lewandowski, tampouco a Terra Nova Trading haviam se manifestado.
Outra entidade alvo da PF já contratou filho de Lewandowski
Quatro meses antes de ser alvo da Polícia Federal, o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) contratou três escritórios de advocacia, entre eles o de Enrique Lewandowski, filho do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. O contrato, assinado em 2 de dezembro de 2024, previa honorários de R$ 200 mil mensais, sendo R$ 50 mil destinados ao advogado.
O documento estabelecia que as bancas atuariam junto a órgãos como INSS, CGU, TCU, Polícia Federal e Senacon para evitar a exclusão do Cebap da lista de entidades autorizadas a realizar descontos. À época, a entidade já acumulava condenações na Justiça e era alvo de apurações em órgãos de controle.
Na época a PF deflagrou operação contra um esquema de fraudes que teria desviado até R$ 6,3 bilhões de aposentados por meio de cobranças irregulares. O Cebap foi um dos alvos. A defesa de Enrique afirmou que sua atuação era restrita ao campo administrativo e sem relação com processos criminais.
O Cebap é controlado por Maurício Camisotti, apontado como articulador do esquema por meio de laranjas em diferentes entidades. O grupo começou a operar em junho de 2023 com receita de R$ 388 mil e, em menos de um ano, chegou a faturar R$ 9,9 milhões mensais.
