Fachin mantém Nunes Marques em ação sobre CPI do Master
Brasília, Sexta, 05 de junho de 2026
Justiça

Fachin mantém Nunes Marques em ação sobre CPI do Master

Presidente do STF rejeita pedido de quatro senadores para afastar ministro da relatoria por considerar solicitação fora do prazo

Alerta: OAB pede a Fachin fim do inquérito das fake news
Foto: Rosinei Coutinho/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido apresentado por quatro senadores para afastar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria da ação que discute a instalação da CPI do Banco Master.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A decisão foi assinada na última quarta-feira (3). Fachin concluiu que a solicitação foi protocolada fora do prazo previsto pelo regimento interno da Corte e, por esse motivo, não poderia ser analisada.

Segundo o presidente do STF, o mandado de segurança foi distribuído a Nunes Marques em 26 de março deste ano. A arguição de suspeição, porém, só foi apresentada em 12 de maio.

O regimento do Supremo estabelece prazo de cinco dias após a distribuição do processo para questionamentos sobre eventual impedimento ou suspeição do relator.

“Diante do exposto, nego seguimento a esta arguição de suspeição, em razão de sua intempestividade”, escreveu Fachin.

Com a decisão, Nunes Marques permanece responsável pela condução do processo que trata da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar operações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

Senadores alegaram falta de imparcialidade

O pedido foi protocolado pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM).

Os parlamentares defendiam que Nunes Marques fosse declarado suspeito para atuar no mandado de segurança que discute a instalação da comissão.

Na petição encaminhada ao Supremo, os senadores sustentaram que fatos surgidos após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, reforçariam a necessidade de afastamento do ministro.

Relação com Ciro Nogueira foi citada

Entre os argumentos apresentados, os autores mencionaram medidas cautelares impostas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e afirmaram que ele teria interesse direto nos desdobramentos da ação relacionada à CPI.

Os parlamentares também alegaram existir uma relação política e pessoal entre Nunes Marques e Ciro Nogueira, o que, segundo eles, comprometeria a aparência de imparcialidade exigida para o julgamento.

“A relação pessoal e política entre o Ministro Kassio Nunes Marques e o Senador Ciro Nogueira não é episódica nem recente. Trata-se de vínculo estruturado ao longo do tempo, documentado em sucessivos momentos institucionalmente relevantes da carreira do Magistrado”, afirmaram os senadores.

Mérito não foi analisado

Ao rejeitar a solicitação, Fachin não examinou os argumentos apresentados pelos parlamentares sobre eventual suspeição do ministro.

A decisão ficou restrita à questão processual e concluiu que o pedido foi apresentado fora do prazo previsto nas regras internas do Supremo Tribunal Federal.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade