Jason Miller, conselheiro sênior de Donald Trump, criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, após entrevista do magistrado à revista The New Yorker. Nas redes sociais, Miller foi direto: “O ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro Alexandre de Moraes é a maior ameaça à democracia no Hemisfério Ocidental, e ele acha engraçado”.
Brazilian Supreme Court Justice Alexandre de Moraes is the single greatest threat to democracy in the Western Hemisphere, and he thinks it’s funny:
“People are going to start saying I’m persecuting everyone now,” he joked.https://t.co/E6voZXCbLK
— Jason Miller (@JasonMiller) April 13, 2025
A crítica teve como gatilho uma fala de Moraes à publicação americana. Ao comentar a suspensão da plataforma Rumble por não ter representante legal no Brasil, o ministro ironizou: “As pessoas vão começar a dizer que estou perseguindo todo mundo agora”. Em tom de deboche, completou: “Nesse ritmo, serei acusado de perseguir Trump também”.
Jason Miller já teve embate direto com Moraes em 2021, quando foi retido pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília a mando do STF. O americano é fundador da rede social Gettr, que se tornou refúgio para conservadores após a censura imposta por big techs como Twitter e Facebook. Ele foi porta-voz de Trump em 2016, participou da transição de governo, e hoje integra o núcleo duro da campanha do republicano à Casa Branca em 2024.
Na entrevista, Moraes também ironizou uma eventual retaliação americana. “Eles podem entrar com ações judiciais, podem fazer Trump falar. Se eles enviarem um porta-aviões, veremos. Se o porta-aviões não chegar ao Lago Paranoá, isso não influenciará a decisão aqui no Brasil”.
O texto da New Yorker, assinado por Jon Lee Anderson — o mesmo biógrafo de Che Guevara —, apresenta Moraes como uma espécie de justiceiro em defesa da democracia, mas admite que o ministro atua como “vítima, acusador e juiz” nos inquéritos contra críticos do Supremo. A matéria descreve o ministro como “Big Alex” — versão americanizada do apelido “Xandão”.
A entrevista, recheada de elogios a si próprio, expõe o desprezo do ministro pela crítica e a obsessão por controle. Moraes aproveitou para atacar o que chama de “extrema-direita” e reforçar sua tese de que plataformas digitais precisam se submeter às leis locais. “Se Goebbels estivesse vivo e tivesse acesso ao X, estaríamos condenados. Os nazistas teriam conquistado o mundo”, disse, comparando redes sociais a ferramentas nazistas de propaganda.
Ainda segundo Moraes, empresas como X e Meta agem como as Companhias das Índias, explorando países sem respeitar soberanias. “Não querem respeitar a jurisdição de nenhum país, porque, na realidade, procuram ser imunes às nações”, afirmou.
A New Yorker também relembra a nomeação de Moraes ao STF por Michel Temer, como recompensa por prender os hackers que chantagearam a então primeira-dama Marcela Temer. Em tom quase exótico, cita que o gabinete do ministro é decorado com esculturas de Xangô e Exu.
