Financiamento reforça disputa com a China por minerais
Um dos principais projetos de mineração de lítio no Brasil entrou no radar dos Estados Unidos. O Projeto Bandeira, da canadense Lithium Ionic, em Minas Gerais, recebeu carta de intenção do Eximbank americano para um financiamento de US$ 266 milhões (R$ 1,49 bilhão).
O interesse reflete a crescente valorização do mineral, considerado estratégico na corrida tecnológica e militar entre EUA e China.
A empresa responsável, MGLIT (subsidiária da Lithium Ionic), confirmou ao UOL que o apoio financeiro ainda está condicionado a diligências e acordos de fornecimento. Mas o sinal dos EUA é claro: Washington pretende garantir o fornecimento de lítio para setores-chave da sua economia, como os de mobilidade elétrica e transição energética.
“A obtenção desse apoio demonstra a viabilidade do projeto, reflete a força do nosso projeto e da nossa equipe, e o crescente reconhecimento e importância do Vale do Lítio do Brasil no movimento global em direção à eletrificação”, afirmou o CEO da empresa, Blake Hylands.
O CEO da Casa Política, Márcio Coimbra, afirmou em seu artigo neste Portal (leia aqui) que, ao priorizarem investimentos, alguns países podem, inadvertidamente, facilitar a dominação de investidores internacionais.
”Por necessidade de investimento, muitos países estão entregando partes significativas de suas infraestruturas para investidores internacionais, inclusive para países que confundem o conceito empresarial com uma espécie de capitalismo de Estado. O resultado é que a infraestrutura de diversas nações hoje repousa sob domínio de países que possuem interesses e agenda próprios”.
A carta de intenção foi formalizada logo após a vitória de Donald Trump nas eleições americanas, em novembro de 2024. O financiamento anunciado cobre 100% das despesas de capital estimadas no Estudo de Viabilidade publicado em maio do mesmo ano.
Apesar do avanço no financiamento, o projeto está suspenso desde maio, à espera de decisão sobre o impacto ambiental e social da extração mineral em comunidades quilombolas da região.
A empresa alega que o financiamento sinaliza a relevância do Brasil na cadeia global de suprimentos de minerais estratégicos. “Entre esses recursos, destacam-se os minerais utilizados no refino e na produção de baterias de alta performance”, afirmou a MGLIT em nota.
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