O Palácio do Planalto parece anestesiado — ou estrategicamente complacente. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resgata a velha retórica terceiro-mundista de uma suposta “parceria Sul-Sul”, a realidade dos fatos desenha um cenário muito mais sombrio para o futuro estratégico do país. Sob o manto da atração de investimentos e do pragmatismo comercial, o atual governo vem chancelando uma entrega sistemática e silenciosa da infraestrutura crítica nacional ao controle direto do Partido Comunista Chinês (PCCh).
O mais recente e alarmante capítulo dessa engrenagem é a iminente aquisição de 20% da Rumo Logística pela estatal COFCO. O BTG Pactual já foi escalado pela Cosan para conduzir o negócio, e Pequim desponta como a favorita incontestável. Não se trata de livre mercado; trata-se de geopolítica pura e dura. Ao colocar as ferrovias que escoam a safra do Centro-Oeste nas mãos de um braço do Estado chinês, o governo Lula terceiriza a própria espinha dorsal do agronegócio brasileiro ao seu maior comprador. É o monopólio perfeito: a China passa a controlar a originação do grão, o frete ferroviário interno e os terminais portuários — como o STS-11 em Santos. O produtor nacional vira refém e o fantasma do desabastecimento interno ou da canalização forçada da produção vira ameaça real à nossa segurança alimentar.
Essa subserviência estratégica não é um fato isolado, mas a tônica de uma política externa que confunde soberania com alinhamento ideológico automático a regimes autocráticos. No setor elétrico, a vulnerabilidade já é sistêmica. Gigantes como a State Grid e a China Three Gorges fincaram bandeira nos ativos mais valiosos de transmissão e geração. Controlam os megabipolos que trazem a energia de Belo Monte para o coração industrial do Sudeste e avançam vorazmente sobre os leilões de baterias e redes. Se Pequim decidir apertar o botão de “desliga” em uma eventual crise diplomática, o Brasil apaga.
O flanco da segurança informacional é ainda mais estarrecedor pela omissão do governo. Enquanto o Planalto discute regulação de redes sob uma ótica estritamente partidária, relatórios internacionais de inteligência cibernética escancaram que grupos hackers umbilicalmente ligados ao Estado chinês, como o UNC2814, realizaram campanhas agressivas contra operadoras de telefonia e órgãos públicos brasileiros para roubar dados governamentais e obter vantagens em licitações. A resposta de Brasília? Silêncio obsequioso, enquanto a infraestrutura de 5G segue pavimentada com tecnologia da Huawei.
O mesmo padrão de dependência e inércia repete-se na segurança sanitária e nacional. O Brasil importa da China assustadores 90% do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) necessário para fabricar de antibióticos a vacinas básicas em laboratórios como Fiocruz e Butantan. Na mineração, jazidas estratégicas de nióbio e terras raras em Goiás já respondem a comandos que vêm de fora. Nos mares, a China Merchants Port Holdings manda no terminal de contêineres do Porto de Paranaguá.
O nacionalismo de palanque do atual governo derrete diante dos números do capital estatal chinês. Ao fechar os olhos para os riscos evidentes de espionagem, perda de autonomia decisória e controle estrangeiro sobre energia, saúde, logística e dados, a gestão Lula não está apenas atraindo investimentos. Está, de forma deliberada, rifando os ativos mais sensíveis do Estado brasileiro e transformando o país em uma colônia de commodities do século XXI, gerida diretamente de Pequim.
PCC DE BRAÇOS DADOS COM O PCCh?
Se a captura de ativos estratégicos por estatais ligadas ao Partido Comunista Chinês (PCCh) já deveria acender os alertas máximos no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o que emerge do submundo do crime organizado nacional transforma a negligência do governo em um escândalo de proporções continentais. Enquanto o Itamaraty joga confete em Pequim, as forças de segurança estaduais dão de cara com a engrenagem mais nefasta dessa simbiose: a aliança financeira entre a máfia chinesa e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações conjuntas da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público e da Secretaria da Fazenda, que culminaram em operações contra empresas de fachada controladas por cidadãos chineses — como o caso emblemático da distribuidora de eletrônicos Knup Brasil —, expuseram um duto que movimentou mais de R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses. O modus operandi é cirúrgico: plataformas digitais de comércio vendiam mercadorias reais, mas os pagamentos eram pulverizados em contas paralelas de laranjas e empresas fantasmas geridas pela facção criminosa paulista. Notas fiscais eram friamente inflacionadas e fraudadas para simular transações legítimas, asfixiando o fisco e reinjetando dinheiro limpo nas veias do narcotráfico.
Diante de um ecossistema criminoso de “via de mão dupla”, onde a estrutura empresarial chinesa dá sustentação ao crime que sitia as cidades brasileiras, a inércia regulatória do Planalto beira a cumplicidade por omissão. O governo federal finge não ver o óbvio: os bilhões sonegados e lavados por essa máfia corporativa em solo nacional servem para financiar a mesma criminalidade que destrói a segurança pública nacional. A complacência ideológica de Lula com a ditadura de Xi Jinping criou o ambiente perfeito para que o “capitalismo de compadrio” se fundisse com o crime organizado de rua. Para Pequim, o Brasil virou não apenas um grande balcão de negócios soberanos, mas uma lavanderia bilionária a céu aberto.