Lula conversou com Donald Trump mais cedo por telefone. Depois, o brasileiro ofereceu ao público interno uma nota amistosa, com menções à “química” entre ambos e os pedidos feitos a Washington; qual sejam o fim do tarifaço e a suspensão das sanções contra ministros do Supremo.
Logo depois, o americano registrou nas redes um comunicado no mesmo tom, mas ressaltando que a conversa focou “principalmente na economia e no comércio” entre os dois países. “Teremos mais discussões e nos reuniremos em um futuro não muito distante.” Trump disse que gostou da ligação.
“Nossos países se sairão muito bem juntos!”
Nas entrelinhas fica claro que Lula disse menos do que poderia e que Trump arrancou do brasileiro mais do que esperava.
Afinal, se na ONU Trump avisou que o Brasil fracassaria sem os EUA, hoje o americano saudou a promessa de parceria. Se Lula reclamou de ingerência e bradou soberania em Nova York, hoje congratulou-se pela ligação telefônica recebida.
Trump já não é o “nazismo com outra cara”, nem o petista é responsável “por ataques insidiosos aos direitos fundamentais”.
Algo aconteceu, de certo.
Na época da Guerra Fria, os governos dos EUA e da URSS criaram uma linha direta — o telefone vermelho — para evitar mal-entendidos e um eventual conflito nuclear. Na conversa de hoje, Lula e Trump também estabeleceram uma comunicação direta para evitar seja lá o que for.
Quando sindicalista, Lula especializou-se em desmontar greves a pedido de grandes empresários. Em sua delação premiada, Emílio Odebrecht entregou detalhes da atuação do petista e de como garantiu os interesses da empreiteira em troca de conselhos e apoio financeiro.
Como empresário, Trump especializou-se a arrancar o máximo de seus interlocutores. A indicação de Marco Rubio para conduzir as negociações em nível diplomático apenas confirma a estratégia de ‘tolerância zero’ com a esquerda latino-americana e global. Resta saber o que Lula ofereceu aos EUA para acalmar sua fúria.
Terras raras? Licença para caçar Alexandre de Moraes? A promessa de nunca mais atacar o dólar e de recuar no alinhamento à China? Nem interferir no cerco a Nicolas Maduro? Todas as opções anteriores?
