Durante o programa ALive, apresentado pelo jornalista Cláudio Dantas, o advogado constitucionalista André Marsiglia afirmou nesta quinta-feira (06) que a não ampliação do prazo de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no caso da suposta tentativa de golpe de Estado faz parte de uma “corrida condenatória”.
✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsAppO procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ontem (05) ao Supremo Tribunal Federal (STF) parecer contra o recurso de Jair Bolsonaro, que pede a ampliação do prazo de defesa. O prazo de 15 dias termina hoje. “Inexiste previsão legal para prorrogação de prazo que vise a apresentação de resposta preliminar”, alegou.
A defesa de Bolsonaro recorreu da decisão do ministro Alexandre de Moraes, que, na semana passada, negou a prorrogação para 83 dias. Caso o pedido não seja aceito, os advogados solicitaram um prazo de 30 dias.
Marsiglia destacou que essa pressa no processo faz parte de uma estratégia para concluir o julgamento, envolvendo Bolsonaro e aliados, ainda neste ano, evitando que o caso ‘tumulte’ as eleições de 2026. No entanto, de acordo com ele, “ao correrem e tratarem o caso politicamente, óbvio que estão tumultuando as eleições”.
O advogado questionou, durante o programa, a transparência e a forma como o processo tem sido conduzido. Segundo ele, o prazo de 15 dias concedido para a defesa é insuficiente, especialmente porque a denúncia apresentada pela PGR não foi integralmente fornecida às partes. “São 15 dias sobre meia bomba. Do que adianta isso?”, disse Marsiglia.
“O que virá depois, as provas que virão depois, elas integrarão um todo que não está no radar dos advogados”, completou o constitucionalista.
Marsiglia também criticou a postura de Alexandre de Moraes, relator do caso na Corte, que tem afirmado que não está impedindo o acesso dos advogados aos autos. “Isso aí agora está escancarado. Se a própria PGR, depois da apresentação da defesa, fornecer novas provas, então é óbvio que, sobre o que se está se manifestando agora, não é a íntegra”, afirmou o jurista, questionando a real extensão do material que está sendo acessado pelos advogados de Bolsonaro.
Ele ainda abordou a questão da pressa no julgamento e o controle do processo pelo STF. “Por que isso está acontecendo? Pra que tanta pressa? Por que o ministro Moraes não dilata o prazo? Por que o ministro Moraes não entrega esse caso para o plenário?”, indagou.
Para o advogado, a urgência tem um objetivo claro: “estamos diante de uma corrida condenatória. Eles querem acabar [o julgamento] este ano para não tumultuar as eleições do ano que vem”. No entanto, ele destacou que ao tratar o caso de forma tão apressada e politicamente, o STF acaba causando um impacto ainda maior no cenário eleitoral de 2026.
“Acho que o Judiciário hoje sequer tem preocupação de esconder o seu lado político”, concluiu Marsiglia.
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