Em entrevista ao programa Alive, Mariana diz que o marido atuou mesmo estando de férias
Ao participar do programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta quinta-feira (4), Mariana Naime, esposa do coronel Jorge Naime — réu na Operação Lesa Pátria e preso preventivamente em fevereiro de 2023 sob acusação de omissão nos atos do dia 8 de janeiro — apresentou sua versão sobre o comportamento do oficial antes e durante as invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília.
Segundo Mariana, Naime estava “com a saúde debilitada” ao fim de 2022 e tinha férias programadas com um ano de antecedência.
A licença, inicialmente marcada para dezembro, teria sido remarcada pelo comando da PMDF para após a posse presidencial, devido à experiência operacional do coronel.
Mariana afirmou que Naime demonstrou preocupação com os acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército após os atos violentos de 12 de dezembro.
“Ele não queria que os acampamentos permanecessem até janeiro. Ele viu que o público estava mudando”, disse.
Segundo ela, o coronel enviou ofícios pedindo a desmobilização e foi “três vezes ignorado”.
O 8 de janeiro
A esposa relata que Naime estava oficialmente de férias desde 2 de janeiro de 2023 e foi chamado de volta no dia 8, após a invasão já ter começado.
Mariana afirma que, ao chegar à Esplanada, Naime atuou para reorganizar as tropas, foi ferido por rojões ao tentar prender um grupo que lançava pedras e realizou prisões.
Imagens exibidas no programa mostraram ferimentos que seriam decorrentes desses confrontos.
Conflitos com o interventor
No relato, Mariana mencionou atritos com o então interventor federal na Segurança Pública do DF, Ricardo Cappelli, que assumiu a coordenação das ações após os ataques.
Mariana diz que Cappelli pressionou o coronel por ações que ele considerava ilegais, como a autorização do uso de munição letal contra pessoas desarmadas.
A defesa do coronel sustenta que Naime foi alvo de retaliação após se recusar a cumprir essas ordens.
Cappelli, por sua vez, já declarou que Naime foi o “único oficial resistente” a suas determinações e que essa resistência teria prejudicado a resposta policial, narrativa que embasa parte das acusações do Ministério Público.
Rota dos ônibus e divergências sobre detidos
Mariana afirmou ainda que Naime negociou com manifestantes no acampamento do QG para que embarcassem voluntariamente em ônibus e fossem apenas identificados na Granja do Torto.
Segundo ela, a rota foi alterada para a Superintendência da Polícia Federal sem conhecimento prévio do coronel.
“O Naime recebeu a ligação e ficou surpreso: 40 ônibus indo para a PF? Isso não estava combinado”, relatou.
Apelo ao STF
Após o depoimento, o jornalista Claudio Dantas afirmou que o coronel pode ter sido “o único oficial a não cumprir ordens ilegais” e fez um apelo ao STF:
“Leiam a defesa. Considerem as provas. Não façam condenações automáticas.”
Naime é acusado de omissão dolosa e de falhas deliberadas no planejamento operacional. A defesa nega, afirmando que ele agiu tecnicamente, tentou prevenir riscos e não participou do planejamento dos atos por estar de férias.
