Alive: Esposa do coronel Naime diz que oficial recusou “ordens ilegais” de interventor no 8/1
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Alive: Esposa do coronel Naime diz que oficial recusou “ordens ilegais” de interventor no 8/1

Segundo Mariana, Naime estava “com a saúde debilitada” ao fim de 2022 e tinha férias “programadas com um ano de antecedência”
Segundo Mariana, Naime estava “com a saúde debilitada” ao fim de 2022 e tinha férias “programadas com um ano de antecedência”. Foto: Republicação/ Yotube Claudio Dantas.

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Por Redação

Em entrevista ao programa Alive, Mariana diz que o marido atuou mesmo estando de férias

Ao participar do programa Alive, apresentado por Claudio Dantas no YouTube nesta quinta-feira (4), Mariana Naime, esposa do coronel Jorge Naime — réu na Operação Lesa Pátria e preso preventivamente em fevereiro de 2023 sob acusação de omissão nos atos do dia 8 de janeiro — apresentou sua versão sobre o comportamento do oficial antes e durante as invasões às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

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Segundo Mariana, Naime estava “com a saúde debilitada” ao fim de 2022 e tinha férias programadas com um ano de antecedência.

A licença, inicialmente marcada para dezembro, teria sido remarcada pelo comando da PMDF para após a posse presidencial, devido à experiência operacional do coronel.

Mariana afirmou que Naime demonstrou preocupação com os acampamentos em frente ao Quartel-General do Exército após os atos violentos de 12 de dezembro.

“Ele não queria que os acampamentos permanecessem até janeiro. Ele viu que o público estava mudando”, disse.

Segundo ela, o coronel enviou ofícios pedindo a desmobilização e foi “três vezes ignorado”.

O 8 de janeiro

A esposa relata que Naime estava oficialmente de férias desde 2 de janeiro de 2023 e foi chamado de volta no dia 8, após a invasão já ter começado.

Mariana afirma que, ao chegar à Esplanada, Naime atuou para reorganizar as tropas, foi ferido por rojões ao tentar prender um grupo que lançava pedras e realizou prisões.

Imagens exibidas no programa mostraram ferimentos que seriam decorrentes desses confrontos.

Conflitos com o interventor

No relato, Mariana mencionou atritos com o então interventor federal na Segurança Pública do DF, Ricardo Cappelli, que assumiu a coordenação das ações após os ataques.

Mariana diz que Cappelli pressionou o coronel por ações que ele considerava ilegais, como a autorização do uso de munição letal contra pessoas desarmadas.

A defesa do coronel sustenta que Naime foi alvo de retaliação após se recusar a cumprir essas ordens.

Cappelli, por sua vez, já declarou que Naime foi o “único oficial resistente” a suas determinações e que essa resistência teria prejudicado a resposta policial, narrativa que embasa parte das acusações do Ministério Público.

Rota dos ônibus e divergências sobre detidos

Mariana afirmou ainda que Naime negociou com manifestantes no acampamento do QG para que embarcassem voluntariamente em ônibus e fossem apenas identificados na Granja do Torto.

Segundo ela, a rota foi alterada para a Superintendência da Polícia Federal sem conhecimento prévio do coronel.

“O Naime recebeu a ligação e ficou surpreso: 40 ônibus indo para a PF? Isso não estava combinado”, relatou.

Apelo ao STF

Após o depoimento, o jornalista Claudio Dantas afirmou que o coronel pode ter sido “o único oficial a não cumprir ordens ilegais” e fez um apelo ao STF:

“Leiam a defesa. Considerem as provas. Não façam condenações automáticas.”

Naime é acusado de omissão dolosa e de falhas deliberadas no planejamento operacional. A defesa nega, afirmando que ele agiu tecnicamente, tentou prevenir riscos e não participou do planejamento dos atos por estar de férias.

Assista ao programa completo:

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