Bastidor: Claudio Dantas destrincha relatoria de Derrite em PL Antifacção
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Bastidor: Claudio Dantas destrincha relatoria de Derrite em PL Antifacção

Derrite foi convidado a participar do programa, mas ainda não compareceu.
Derrite foi convidado a participar do programa, mas ainda não compareceu. Foto: Republicação/ Youtube Claudio Dantas

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

PL Antifacção sob relatoria de Derrite gera polêmica; crime organizado impede criação de 360 mil empregos

Durante o programa Alive, o apresentador Claudio Dantas afirmou, nesta quinta-feira (13), que o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) poderia ter agido de forma mais estratégica ao assumir a relatoria do Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção.

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“Eu acho que o Derritte fez um movimento que precisaria ter sido melhor combinado, porque política é acerto, política é combinação”, disse o jornalista.

Isso porque, inicialmente, o parlamentar se licenciou do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo para assumir a relatoria do PL 1283/2025, que foi passada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por alegar receber ameaças.

O projeto é de autoria do deputado federal Danilo Forte (União-CE) e propõe mudanças na Lei Antiterrorismo, entre elas a equiparação de facções criminosas ao termo terrorismo.

Este projeto, inclusive, teve sua urgência aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio deste ano.

Alive: Fraga cobra urgência na aprovação do PL Antifacção

No entanto, após a deflagração da Operação Contenção, realizada contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) em 28 de outubro, nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — operação que resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais, tornando-se a mais letal da história do país — o tema segurança pública voltou a ganhar destaque nos Três Poderes.

Estratégias 

Diante disso, o governo Lula enviou o PL 5.582/2025, anunciado com o objetivo de reforçar o combate às organizações criminosas.

Em uma estratégia política, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PL), desagradou a base governista ao indicar Derrite para a relatoria. Todavia, também não atendeu ao pedido da oposição de unificar o projeto do governo com o de Danilo Forte.

Ao assumir, no entanto, o relator explicou que o projeto unifica tanto sugestões do governo federal quanto do deputado Forte. O substitutivo, porém, não equipara facções criminosas a organizações terroristas, mantendo o combate a essas organizações em uma lei autônoma, o que, segundo Derrite, evita conflito de competência com a Justiça Federal.

Sobre esse ponto, o apresentador questionou a atuação de Derrite também enquanto relator do PL Antiterrorismo.

“Se você pegou a relatoria de um projeto que era para classificar como terrorismo, e se você já não acreditava nessa classificação, por que você pegou?”, disse.

O parlamentar foi convidado a participar do programa, mas ainda não compareceu.

Crime organizado e economia

Dantas também alertou para os impactos do crime organizado na economia brasileira, já que essas organizações lucram mais com atividades econômicas regulares do que com o tráfico de drogas.

“O crime organizado hoje, com dinheiro infinito do narcotráfico, contrabando e adulteração de bebidas, consegue comprar terras e empresas no Brasil. Cabeça Branca, um dos maiores líderes, tinha mais de 16 fazendas, somando mais de um bilhão e meio em propriedades rurais. Eles tomam terras do agronegócio, queimam plantações e invadem setores estratégicos como fertilizantes e combustíveis”, afirmou.

O apresentador também mencionou outra proposta de Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, esta relatada pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que inclui medidas para coibir a infiltração do crime organizado na economia formal.

“O crime organizado lucra mais com atividades legais, só que pratica de forma irregular. Isso movimenta bilhões e prejudica empresários que pagam impostos e seguem regras, enquanto produtos ilegais entram no mercado com matéria-prima de baixa qualidade. Só no ano passado, mais de 360 mil postos de trabalho deixaram de ser abertos por causa da atuação do crime”, pontuou Dantas.

Assista ao programa completo: 

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