PL Antifacção sob relatoria de Derrite gera polêmica; crime organizado impede criação de 360 mil empregos
Durante o programa Alive, o apresentador Claudio Dantas afirmou, nesta quinta-feira (13), que o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) poderia ter agido de forma mais estratégica ao assumir a relatoria do Projeto de Lei 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção.
“Eu acho que o Derritte fez um movimento que precisaria ter sido melhor combinado, porque política é acerto, política é combinação”, disse o jornalista.
Isso porque, inicialmente, o parlamentar se licenciou do cargo de secretário de Segurança Pública de São Paulo para assumir a relatoria do PL 1283/2025, que foi passada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por alegar receber ameaças.
O projeto é de autoria do deputado federal Danilo Forte (União-CE) e propõe mudanças na Lei Antiterrorismo, entre elas a equiparação de facções criminosas ao termo terrorismo.
Este projeto, inclusive, teve sua urgência aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio deste ano.
No entanto, após a deflagração da Operação Contenção, realizada contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) em 28 de outubro, nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro — operação que resultou em 121 mortos, incluindo quatro policiais, tornando-se a mais letal da história do país — o tema segurança pública voltou a ganhar destaque nos Três Poderes.
Estratégias
Diante disso, o governo Lula enviou o PL 5.582/2025, anunciado com o objetivo de reforçar o combate às organizações criminosas.
Em uma estratégia política, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PL), desagradou a base governista ao indicar Derrite para a relatoria. Todavia, também não atendeu ao pedido da oposição de unificar o projeto do governo com o de Danilo Forte.
Ao assumir, no entanto, o relator explicou que o projeto unifica tanto sugestões do governo federal quanto do deputado Forte. O substitutivo, porém, não equipara facções criminosas a organizações terroristas, mantendo o combate a essas organizações em uma lei autônoma, o que, segundo Derrite, evita conflito de competência com a Justiça Federal.
Sobre esse ponto, o apresentador questionou a atuação de Derrite também enquanto relator do PL Antiterrorismo.
“Se você pegou a relatoria de um projeto que era para classificar como terrorismo, e se você já não acreditava nessa classificação, por que você pegou?”, disse.
O parlamentar foi convidado a participar do programa, mas ainda não compareceu.
Crime organizado e economia
Dantas também alertou para os impactos do crime organizado na economia brasileira, já que essas organizações lucram mais com atividades econômicas regulares do que com o tráfico de drogas.
“O crime organizado hoje, com dinheiro infinito do narcotráfico, contrabando e adulteração de bebidas, consegue comprar terras e empresas no Brasil. Cabeça Branca, um dos maiores líderes, tinha mais de 16 fazendas, somando mais de um bilhão e meio em propriedades rurais. Eles tomam terras do agronegócio, queimam plantações e invadem setores estratégicos como fertilizantes e combustíveis”, afirmou.
O apresentador também mencionou outra proposta de Marco Legal de Combate ao Crime Organizado, esta relatada pelo deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que inclui medidas para coibir a infiltração do crime organizado na economia formal.
“O crime organizado lucra mais com atividades legais, só que pratica de forma irregular. Isso movimenta bilhões e prejudica empresários que pagam impostos e seguem regras, enquanto produtos ilegais entram no mercado com matéria-prima de baixa qualidade. Só no ano passado, mais de 360 mil postos de trabalho deixaram de ser abertos por causa da atuação do crime”, pontuou Dantas.
