Escritório da filha de ministro do STJ recebeu R$ 300 mil de empresa alvo da PF, diz site
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Escritório da filha de ministro do STJ recebeu R$ 300 mil de empresa alvo da PF, diz site

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Por Redação

Relatório mostra repasses da Fource enquanto casos da empresa estavam sob relatoria do ministro

A Polícia Federal identificou que a Fource, investigada por suspeita de corrupção no Judiciário, repassou R$ 300 mil ao escritório de advocacia de Anna Carolina Noronha, filha do ministro do STJ João Otávio de Noronha. Os pagamentos ocorreram entre fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, segundo relatório do Coaf, segundo o Estadão.

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Nesse mesmo período, tramitavam no STJ quatro processos ligados a um fundo de investimentos operado pela Fource. Todos foram distribuídos à relatoria de Noronha. O ministro, porém, afirmou em nota que rejeitou recursos apresentados pela empresa e que não houve benefício. Ele não comentou os repasses à filha, que também não se manifestou.

De acordo com a PF, em dois dos processos o ministro negou recursos da empresa, enquanto em outros dois homologou pedidos de desistência feitos pela parte contrária. O relatório ressalta que a repetição da relatoria pode decorrer de critérios formais, mas aponta o padrão como “elemento objetivo relevante” na investigação.

A apuração também identificou diálogos de sócios da Fource com familiares de ministros do STJ, entre eles Anna Carolina. A advogada, segundo interlocutores da empresa, teria sido contratada para prestar serviços, mas não aparece formalmente nas ações.

O caso integra a investigação em curso no STF, sob relatoria do ministro Cristiano Zanin. A PF já quebrou os sigilos bancários da Fource e analisa movimentações financeiras e comunicações de seus sócios.

O Estadão revelou ainda que o ministro Noronha utilizou aeronave privada de um dos sócios da Fource para viajar a Cuiabá em evento da OAB-MT. Ele já havia declarado impedimento em um inquérito envolvendo o empresário.

Mesmo assim, em julho deste ano, Noronha proferiu decisão favorável à Bom Jesus Agropecuária, empresa ligada à Fource. O processo discute contrato rural em Mato Grosso. A parte contrária pediu que o ministro se declare impedido de atuar, mas a solicitação ainda não foi analisada.

Em resposta, o gabinete de Noronha afirmou que a liminar seguiu jurisprudência do STJ e declarou competente a 4ª Vara Cível de Rondonópolis (MT) para julgar a disputa.

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