Mensagens revelam críticas ao ritmo exigido por Cristina Kusahara
Mensagens internas mostram que a equipe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do TSE trabalhava sob pressão durante a análise dos presos do 8 de janeiro. Sob comando de Alexandre de Moraes e cobrança direta de sua assessora Cristina Yukiko Kusahara, os técnicos reclamaram que as ordens eram insustentáveis. Os jornalistas Glenn Greenwald e Fábio Serapião tiveram acesso às mensagens e documentos vazados.
Eduardo Tagliaferro, chefe da AEED, enviou um áudio ao juiz instrutor do STF Airton Vieira, em que se queixou das exigências. Ele afirmou que a carga de trabalho era “simplesmente desumana” e pontuou que sua equipe não havia sido treinada para realizar atividades de inteligência.
As conversas mostram que Kusahara cobrava rapidez no processo a qualquer custo. Em mensagens, ela criticava o ritmo do TSE e exigia que as análises fossem feitas rapidamente, deixando claro que o objetivo era decidir quem deveria continuar preso. Quando Tagliaferro mencionou as dificuldades, ouviu de Kusahara que sua equipe estava “mal acostumada”.
Apesar dos alertas sobre falhas técnicas, nomes duplicados e a falta de preparo, a ordem foi manter a velocidade. Em uma das mensagens, Kusahara escreveu que não havia espaço para “filosofar”, pois era necessário determinar rapidamente quem ficaria na prisão.
“Temos 1.200 pessoas custodiadas, e a maioria vai ser liberada. Não podemos nos dar ao luxo de ficar filosofando”, escreveu Kusahara na mensagem.
Nesta segunda (4), os jornalistas Eli Vieira e David Ágape publicaram reportagem com informações novas e exclusivas após apurarem, por meio das mensagens e documentos vazados, que o ministro Alexandre de Moraes usou a AEED para a criação de certidões e relatórios para os casos dos presos do 8 de janeiro.
