Conversas internas mostram juiz minimizando direitos dos custodiados
Mensagens internas vazadas e obtidas pelos jornalistas Glenn Greenwald e Fábio Serapião mostram a maneira hostil que juiz Airton Vieira, juiz auxiliar de Alexandre de Moraes no STF e responsável por coordenar as audiências de custódia dos detidos, tinha com os investigados.
Enquanto centenas de pessoas aguardavam decisão sobre sua liberdade, Vieira demonstrava desprezo pelos manifestantes e chegou a zombar das condições dos custodiados. Segundo as conversas, ele considerava que todos “mereciam” permanecer presos, independentemente das provas ou do devido processo legal.
“Despeço-me aqui, singelamente, pois nos demais grupos já estou me despedindo… Que nas audiências de custódia possamos dar a cada um o que lhe é de direito: a prisão!”.
Designado para assegurar a imparcialidade, o magistrado teve exposta, por meio de mensagens privadas, a sua postura de julgamento antecipado e o cinismo por trás de uma operação que suspendeu o devido processo legal enquanto os responsáveis alegavam defendê-lo.
As revelações dão peso à denúncia de que as audiências não foram conduzidas com a imparcialidade que é exigida pela lei, mas sob um clima de deboche e perseguição política.
Nesta segunda (4), os jornalistas Eli Vieira e David Ágape publicaram reportagem com informações novas e exclusivas após apurarem, por meio das mensagens e documentos vazados, que o ministro Alexandre de Moraes usou a AEED para a criação de certidões e relatórios para os casos dos presos do 8 de janeiro.
