André Gonçalves teria revendido materiais didáticos por até 35 vezes o valor de compra em contratos
O empresário André Gonçalves Mariano, dono da Life Tecnologia Educacional e ligado a Carla Ariane Trindade, ex-nora do presidente Lula (PT), vendeu livros escolares a prefeituras do interior de São Paulo por valores até 35 vezes superiores ao preço de aquisição.
A prática está sendo investigada pela Polícia Federal (PF) na Operação Coffee Break, que resultou na prisão de Mariano e de outros envolvidos.
Funcionamento do esquema
Segundo a PF, a Life Tecnologia fechou contratos de R$ 111 milhões com as prefeituras de Sumaré, Hortolândia, Morungaba e Limeira, obtendo lucros milionários com revenda de livros e kits de robótica.
Segundo a PF, a Life Tecnologia apresentava um lucro “exorbitante”, comprando livros por valores entre R$ 1 e R$ 5 e revendendo por até R$ 80.
A análise das notas fiscais sugere que a empresa teria lucrado pelo menos R$ 50 milhões com esses contratos, sem contabilizar gastos com logística e funcionários, considerados pouco expressivos.
Mariano buscava expandir o esquema para outros municípios, órgãos federais, como a Petrobras e o Denatran, e até para o exterior, incluindo Angola.
Envolvidos
A investigação aponta que Mariano utilizava uma rede de contatos políticos e lobistas para direcionar licitações e obter contratos. Entre os intermediários, Carla Trindade teria atuado para facilitar a liberação de recursos junto ao Ministério da Educação e prefeituras, com viagens a Brasília custeadas pelo empresário.
Também foram presos o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, os secretários de Educação de Hortolândia e Sumaré, Fernando Gomes de Moraes e José Aparecido Ribeiro Marin, e dois doleiros.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência de Carla Trindade.
