Lula sanciona proibição de linguagem neutra no serviço público
Brasília, Sexta, 17 de julho de 2026
Política

Lula sanciona proibição de linguagem neutra no serviço público

Lula proíbe linguagem neutra na administração pública; regra impõe uso da norma culta e comunicação clara nos órgãos oficiais.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Nova lei determina uso exclusivo da norma culta em órgãos federais, estaduais e municipais

O presidente Lula sancionou a lei que proíbe o uso de linguagem neutra na administração pública em todos os níveis — União, estados e municípios. A norma, aprovada pelo Congresso, obriga órgãos públicos a adotarem apenas a norma culta da língua portuguesa, vedando expressões como “todes” e outras variações sem previsão oficial.

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A linguagem neutra é usada por grupos que não se identificam com os gêneros masculino ou feminino, mas não integra o padrão gramatical vigente. A sanção ocorre após episódios recentes em que ministros foram criticados por empregar esse tipo de termo em eventos oficiais.

“Não usar novas formas de flexão de gênero e de número das palavras da língua portuguesa, em contrariedade às regras gramaticais consolidadas, ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp) e ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa”, diz a legislação sancionada na última semana.

A proposta avançou após o STF suspender leis estaduais e municipais que tratavam do tema. A Corte afirmou que cabe à União definir normas gerais de linguagem no serviço público. Com a sanção presidencial, a regra passa a valer para todas as esferas de governo.

A proibição foi incluída no projeto que institui o uso da chamada “linguagem simples” na administração pública. A iniciativa busca unificar padrões e tornar a comunicação oficial mais clara e acessível. Segundo a lei, a linguagem simples deve permitir que o cidadão “encontre a informação, compreenda e use” a mensagem.

O texto orienta que a comunicação governamental adote frases curtas, ordem direta e apresentação imediata das informações essenciais. Também determina “desenvolver uma ideia por parágrafo”, evitar termos estrangeiros sem necessidade e eliminar jargões sem explicação.

Para comunidades indígenas, a lei prevê que, sempre que possível, haja uma versão das mensagens no idioma tradicional do grupo destinatário. O dispositivo reforça a pluralidade linguística, mantendo a exigência de respeito à estrutura formal da língua portuguesa na comunicação oficial. A norma também prevê testes de compreensão com o público-alvo.

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