Uma decisão da Justiça Federal da Paraíba que condenou três pessoas por desvio de recursos públicos cita mais um caso em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria cobrado valores para destinar emendas parlamentares. A sentença é de 27 de fevereiro e faz parte de um desdobramento da Operação Desumanidade. Assista ao vídeo divulgado pelo Metrópoles:
UM POUQUINHO DE HISTÓRIA PRA CONHECERMOS QUEM É HUGO MOTTA…ATUAL PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS…
EMPRESÁRIO CITA PROPINA DE 10% EM EMENDA ENVIADA A CIDADE DO NORDESTE… pic.twitter.com/duhnRiP5Nk— SAMURAI (@nauylians) March 20, 2025
Embora cite Motta, a decisão tem como alvos o ex-prefeito de Malta (PB), Manoel Benedito de Lucena Filho, conhecido como “Nael”, seu filho e um empresário da construção civil. Eles foram condenados pelo desvio de verbas de um contrato de recapeamento de ruas em 2014. O dinheiro vinha de uma emenda do atual presidente da Câmara.
O depoimento do empresário José Aloysio Machado da Costa Neto, gravado em 2017 e anexado à sentença, detalha a suposta propina. “Seria 10% que o deputado tinha cobrado”, disse ele sobre Motta. Questionado se o valor seria R$ 78 mil, correspondente a 10% do contrato de R$ 780 mil, confirmou.
“Correto, ele até ficou chateado, o Nael [prefeito]. Porque ele disse que era uma obra que já estava com o preço meio apertado já, esse recurso vinha pela Caixa Econômica. Ele disse: rapaz, eu ajudei tanto esse deputado e ainda ele vir me cobrar um percentual para mandar um dinheiro para o município, meu município tem sofrido. Isso foi o que o prefeito me confidenciou, ele chateado pela situação”, declarou o empresário.
A afirmação também consta em um acordo de colaboração premiada não homologado pelo Supremo Tribunal Federal. O juiz Thiago Batista de Ataíde, autor da decisão, registrou que o empresário disse ter sido chamado pelo deputado estadual Nabor Wanderley para ser apresentado ao prefeito de Malta. “Haveria uma comissão ao deputado federal Hugo Motta, de 10% (dez por cento), por ser o autor da emenda parlamentar”, diz o documento.
As emendas de Motta já apareceram em ao menos outros dois esquemas suspeitos. Em 2015, a Operação Desumanidade investigou desvios na construção de 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS), financiadas por emendas do deputado. Em 2024, a Operação Outline mirou uma obra de R$ 5 milhões em Patos (PB), também bancada por recursos destinados por Motta.
O esquema funcionava com a empresa Sóconstrói servindo de fachada para que terceiros executassem as obras. Segundo os autos, Manoel Lucena e seu filho Naedy Bastos Lucena negam as acusações e sustentam que a licitação foi regular.
Hugo Motta ainda não se manifestou. A equipe deste jornal digital entrou em contato com a assessoria do deputada, o espaço fica em aberto.
