O ex-presidiário José Dirceu declarou apoio ao ex-ministro Edinho Silva para a presidência nacional do PT em carta aberta à militância, divulgada nesta semana.
“Edinho tem uma vasta experiência na direção do PT e nos governos que dirigiu e participou”, escreveu Dirceu. “Conhece o mundo parlamentar e vem de uma vida de lutas, nas pastorais da juventude e operária da Igreja Católica.”
Dirceu também usa a carta para defender alianças fora da esquerda: “A conjuntura e as condições que governamos exigem de nós a capacidade de fazer alianças mais amplas que a centro-esquerda”. Ainda assim, o ex-ministro reforça bandeiras históricas do partido, como taxação de grandes fortunas, reforma agrária e revisão do Imposto de Renda.
“Ao PT e às esquerdas resta a tarefa histórica de concluir a revolução social brasileira inacabada”, afirmou. “Exige duas condições: a soberania e independência nacional, de um lado, e a democracia, de outro, num mundo onde precisamos ter lado, lutar contra a extrema-direita e o neofascismo.”
Rui Falcão (PT-SP), ex-presidente do partido, é o principal adversário de Edinho. Ele critica o apoio institucional do Planalto à chapa do ex-prefeito de Araraquara (SP) e defende uma guinada à esquerda.
Dirceu também pediu foco nas disputas ao Senado em 2026: “Atenção especial ao Senado, onde o bolsonarismo trama a retomada de seu projeto autoritário e ditatorial.” Segundo ele, ampliar a bancada petista na Casa é essencial para garantir as “condições” da reeleição de Lula.
A renovação de 2/3 do Senado em 2026 abre espaço para mudança no equilíbrio político. Atualmente, o PT tem nove senadores, seis deles com mandatos que terminam em 2026. O PL, de Jair Bolsonaro, conta com 14 senadores, dos quais apenas seis estarão na disputa.
PL e PT articulam abrir mão de disputas ao governo estadual para lançar nomes competitivos ao Senado. A leitura é que uma base forte pode influenciar votações chave, inclusive impeachment de ministros do STF.
A carta também defende prioridade à reforma política. Dirceu criticou o “desvirtuamento das emendas parlamentares”, os “desvios de recursos para fins eleitorais” e o “avanço” do Congresso sobre o Executivo.
Ele também classificou como “indecente” a proposta aprovada pela Câmara que aumenta o número de deputados. No Senado, há discussões sobre o fim da reeleição para cargos executivos.
