O deputado Rui Falcão (PT-SP) divulgou nesta quarta-feira (12) uma carta aberta ao partido, criticando a linha política defendida por uma ala da sigla e sinalizando que pode entrar na disputa pela presidência do PT, acirrando ainda mais a crise interna. Ex-presidente da legenda entre 2011 e 2017, Falcão foi sucedido por Gleisi Hoffmann, que agora será substituída em julho.
O nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para comandar o partido é Edinho Silva, ex-prefeito de Araraquara (SP). No entanto, ele enfrenta resistências dentro da própria corrente majoritária do PT, a Construindo um Novo Brasil (CNB). A principal disputa envolve o controle da tesouraria da legenda. A atual tesoureira, Gleide Andrade, aliada de Gleisi, se opõe à candidatura de Edinho, que pretende mudar o comando financeiro do partido.
Falcão criticou a divisão interna do partido por cargos na direção. “Não podemos nos aprofundar numa disputa que vise apenas a conquista de cargos e espaços de poder”, afirmou. Ele também acenou para a ala mais à esquerda da sigla. “A companheira Gleisi Hoffmann, ao me suceder na presidência do PT, conduziu com coragem a resistência à extrema direita e a preparação de nosso partido para a sucessão presidencial de 2022. Após a vitória, sempre foi uma referência no enfrentamento ao reacionarismo e no fortalecimento da esquerda dentro do próprio governo.”
A defesa de Edinho Silva por uma postura mais moderada do PT é alvo de críticas internas. Falcão rechaçou o que chamou de “despolarização” e alertou contra o risco de transformar o PT em um simples “braço institucional” do governo. “Nosso partido deve rechaçar os apelos à despolarização, palavra da moda que significa levar-nos a uma transição efetiva para o centro, com um forte rebaixamento ideológico, programático e organizacional. A construção de coalizões para vencer as eleições e governar não pode ser vista como contraditória com a disputa pública de hegemonia pelos partidos do campo popular.”
Falcão também reconheceu que o PT tem dificuldades em se comunicar pelas redes sociais e defendeu que a sigla retome suas bases populares. “Para cumprir suas tarefas históricas, o PT precisa se reconverter em um partido de massas, mesclando a concorrência eleitoral com a incorporação de amplas frações do povo à luta política. Sabemos o caminho das pedras.”
Ele foi além e citou as igrejas evangélicas como exemplo de organização. “Aprendamos com as igrejas evangélicas: o PT somente será hegemônico quando, ao lado de cada templo, em cada bairro, houver uma sede partidária aberta às mais distintas atividades políticas, culturais e recreativas. Não basta abrirmos comitês somente em época eleitoral, a cada dois anos. Temos que estar inseridos diretamente na vida do povo e de suas organizações.”
A disputa pela presidência do PT deve se intensificar nos próximos meses, com diferentes alas da sigla se mobilizando para influenciar os rumos do partido.
