A oposição ao governo Lula, liderada pelo PL, pressiona para destravar o projeto de anistia aos investigados e condenados pelos atos de 8 de janeiro. Mas, apesar da retórica unificada, nem toda a bancada de 92 deputados do partido aderiu ao requerimento de urgência. Até a noite de terça-feira (8), cinco parlamentares do PL não haviam assinado o documento.
A resistência interna acendeu o alerta em setores da direita. O levantamento, com base na lista de assinaturas atualizada, revela os nomes dos que ainda não aderiram:
– Antonio Carlos Rodrigues (PL-SP)
– Detinha (PL-MA)
– João Carlos Bacelar (PL-BA)
– Josimar Maranhãozinho (PL-MA)
– Robinson Faria (PL-RN)
Apesar disso, a oposição já garantiu mais de 200 assinaturas — número ainda abaixo das 257 necessárias para levar o texto diretamente ao Plenário, sem passar por comissões. A articulação é liderada pelo deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que busca apoios inclusive fora da oposição. Deputados de partidos como União Brasil e Republicanos, ligados ao governo, também assinaram.
O movimento é uma resposta à inércia do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em pautar o tema. O PL tenta desde março pressionar a base governista e mobilizar parlamentares pela chamada pauta de pacificação nacional.
A sigla suspendeu a obstrução das comissões e do plenário. A tática, segundo Sóstenes, agora é o convencimento direto: “Estamos apostando no diálogo com os colegas parlamentares, que vêm se sensibilizando com essa pauta de justiça, de humanidade e de pacificação nacional.”
A tentativa de acelerar a anistia ocorre enquanto mais de 200 pessoas seguem como alvos do STF, seja por condenações duras ou por descumprimento de medidas cautelares. A defesa da oposição é que essas pessoas estão sendo perseguidas por motivação política, enquanto o governo Lula mantém silêncio sobre as penas aplicadas.
O requerimento, se alcançar a maioria absoluta ou a representação equivalente entre líderes partidários, força a inclusão da anistia na pauta do Plenário. A oposição busca exatamente esse atalho, diante do risco de engavetamento nas comissões dominadas por aliados do Planalto.
