A defesa de Marcelo Câmara, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recorreu nesta segunda-feira (23) da decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou sua prisão preventiva.
Os advogados afirmam que não houve violação das medidas cautelares. Alegam também que não existia restrição que impedisse contato com o tenente-coronel Mauro Cid, delator no inquérito da suposta tentativa de golpe em 2022.
Câmara foi preso pela Polícia Federal em Sobradinho (DF) na quarta-feira (18), por ordem de Moraes. Segundo o ministro, o ex-assessor tentou obter informações sigilosas do acordo de delação premiada de Cid por meio de seu advogado, o que configuraria risco à investigação.
A defesa sustenta que os contatos com Mauro Cid ocorreram até março de 2024, antes das cautelares fixadas por Moraes. Argumenta ainda que a iniciativa partiu de Cid e que Câmara não se beneficiou das conversas.
“Se há algum acusado que descumpriu o comando de Vossa Excelência de estabelecer contato com os demais imputados — sobretudo se valendo de perfil de outra pessoa ou até mesmo perfil falso, o que se deve apurar —, esta pessoa certamente não é o Agravante [Câmara]”, afirmaram os advogados.
O recurso também contesta a imputação de responsabilidade penal objetiva e defende a revogação da prisão por ausência de risco processual concreto.
Na decisão que determinou a prisão, Moraes afirmou que a conduta do ex-assessor revela “completo desprezo” pelo STF. Segundo o ministro, Câmara violou duas medidas: a proibição de usar redes sociais e de manter contato com outros investigados, direta ou indiretamente.
