Defesa de Bolsonaro pede que STF reconheça “desistência” de plano de golpe
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Defesa de Bolsonaro pede que STF reconheça “desistência” de plano de golpe

Bolsonaro é preso e STF julga violação de medidas cautelares
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Advogados citam voto de Fux e alegam que ex-presidente interrompeu qualquer ação

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um recurso de 85 páginas em que pede o reconhecimento da “desistência voluntária” em relação ao suposto plano de golpe de Estado após as eleições de 2022. O pedido foi protocolado nesta segunda-feira (27) e será analisado pela Primeira Turma, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

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Os advogados citam seis vezes o voto divergente do ministro Luiz Fux, que absolveu Bolsonaro no julgamento. Segundo a defesa, o acórdão da Primeira Turma tem “omissões, contradições e imprecisões” e não considerou provas que mostrariam que o ex-presidente “não prosseguiu com o suposto percurso da empreitada golpista”.

O documento sustenta que Bolsonaro adotou postura pública inversa, “desautorizando e desestimulando manifestações impulsivas de seus apoiadores” e não interferiu nos comandos das Forças Armadas. Os advogados afirmam ainda que o tribunal analisou de forma superficial a tese da “desistência voluntária”, prevista no artigo 15 do Código Penal, segundo o qual o agente que desiste de prosseguir com o crime não pode ser punido pela tentativa.

A peça aponta oito omissões no acórdão, incluindo:

  • ausência de exame sobre a relação do caso com os atos de 8 de janeiro;

  • uso da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid;

  • divergências entre as provas e as conclusões da Turma;

  • e falta de análise técnica sobre a unificação dos crimes atribuídos ao ex-presidente.

Os advogados também pedem que as acusações de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito sejam tratadas como um único delito, argumentando que ambas têm o mesmo objetivo jurídico. Caso o pedido seja aceito, a pena imposta a Bolsonaro — de 27 anos e 3 meses de prisão — pode ser reduzida em mais de seis anos.

O recurso também alega cerceamento de defesa e excesso acusatório, sustentando que o processo foi conduzido de maneira que prejudicou a análise equilibrada das provas.

A defesa reforça o voto de Luiz Fux, que considerou não haver elementos suficientes para a condenação e defendeu que o ex-presidente “abandonou qualquer conduta voltada à consumação de um golpe” após o resultado eleitoral.

Além de Bolsonaro, outros sete condenados no mesmo processo também apresentaram embargos de declaração. O tenente-coronel Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, foi o único que não recorreu, por ter firmado acordo de colaboração premiada e cumprir pena reduzida.

Ainda não há data para o julgamento do recurso, mas a expectativa é de tramitação rápida, uma vez que a Primeira Turma já concluiu a fase de instrução do caso.

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