Carlos Roberto Ferreira Lopes foi preso por falso testemunho durante depoimento na comissão
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS aprovou, agora há pouco (2), o pedido de prisão preventiva de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais). A solicitação será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Lopes foi preso em flagrante na madrugada de terça-feira (29) durante depoimento na comissão, após receber voz de prisão do presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), por falso testemunho. Ele foi liberado após pagar fiança.
“Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados”, disse.
No início da sessão, Viana reforçou que depoentes que mentirem serão presos e que conduções coercitivas serão aplicadas aos convocados que não comparecerem. “Nós vamos continuar trabalhando da mesma maneira, todos serão respeitados aqui, os direitos de todos mantidos, mas a pessoa que mentir aqui vai receber voz de prisão. Nós estamos bem firmes nesse assunto”, afirmou.
Além de Lopes, o empresário Rubens Oliveira Costa também recebeu voz de prisão em seu depoimento, apontado como intermediário do chamado “Careca do INSS” em 23 de setembro.
A comissão prevê, ainda nesta semana, a oitiva do ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Vinicius de Carvalho. A CGU foi responsável por revelar o esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, investigado em operação conjunta com a Polícia Federal em abril.
Convocações da CPMI de servidores e empresários
A CPMI aprovou diversos pedidos de convocações de servidores afastados do INSS, empresários e integrantes de associações.
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS, teve 13 pedidos de convocação aprovados, incluindo quebra de sigilo telemático. A esposa dele, Thaisa Hoffmann Jonasson, também teve oito convocações aprovadas, além da quebra de sigilos telemático e telefônico.
Outros servidores convocados foram Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios, e Jobson de Paiva Silveira Sales, ex-diretor de Atendimento.
O empresário Maurício Camisotti, preso desde 12 de setembro, também teve novas convocações e pedidos de quebra de sigilo aprovados. Um habeas corpus do STF o desobrigou de comparecer à comissão, mas a CPMI poderá realizar sua oitiva nas dependências da Polícia Federal.
O advogado Nelson Wilians teve novos pedidos de transferência de sigilo aprovados, após se recusar a responder parte das perguntas. Na semana anterior, já havia sido alvo de prisão preventiva e quebra de sigilos bancário e fiscal, não autorizadas pelo STF.
Pedidos retirados da pauta
Por acordo, a CPMI retirou de pauta a convocação de Thaisa Daiane Silva, secretária-geral da Contag, e de Edjane Rodrigues Silva, secretária de Políticas Sociais da Contag. Também foi excluído o requerimento para retirada do sigilo do depoimento do delegado da PF Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi, ouvido em sessão secreta em 28 de agosto.
