Viana defende CPMI do INSS e critica STF e PGR
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Viana defende CPMI do INSS e critica STF e PGR

CPMI investiga repasses milionários ao Sindnapi, presidido por Milton Souza e ligado a Frei Chico, irmão de Lula
CPMI investiga repasses milionários ao Sindnapi, presidido por Milton Souza e ligado a Frei Chico, irmão de Lula

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Por Redação

Senador afirma que colegiado manterá investigações apesar de divergências com Judiciário e MP

Na abertura da reunião da CPMI do INSS nesta segunda-feira (29), o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que a comissão é soberana e seguirá firme em seus trabalhos, independentemente das decisões da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, o Congresso tem autonomia para conduzir inquéritos parlamentares e não aceitará interferências externas.

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Críticas à PGR e ao STF

Viana contestou o parecer da PGR que se opôs à prisão em flagrante de Rubens Oliveira Costa, ouvido pela comissão. O senador reforçou que o Ministério Público tem papel nos inquéritos policiais e judiciais, mas lembrou que o Parlamento possui mecanismos próprios previstos na Constituição.

Ele também criticou decisões do STF que concederam habeas corpus a depositantes da comissão. Para o senador, cabe ao Legislativo exercer sua função de fiscalização em respeito ao princípio dos freios e contrapesos. Ainda assim, declarou ter sentido “alívio” com a decisão do ministro Gilmar Mendes, que se declarou impedido em um caso envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A posição da PGR de que Rubens Costa deveria ter sido tratada como investigado e não como testemunha também gerou embates no colegiado. O deputado Rogério Correia (PT-MG) pediu cautela e alertou para o risco de nulidades caso a comissão extrapole seus limites.

Viana reagiu defendendo que a CPMI do INSS tem independência para definir quem será considerado investigado ou testemunha. Correia, por sua vez, insistiu na necessidade de preservar o devido processo legal para evitar a desmoralização da comissão.

Divergências internas

Outros parlamentares entraram no debate. O senador Marcos Rogério (PL-RO) reafirmou que uma CPMI tem autoridade para apurar prisões em flagrante, como ocorreu em CPIs passadas, e acusou o PT de tentar “mudar as regras do jogo”.

Já o senador Sergio Moro (União-PR) defendeu ajustes nos procedimentos de prisão para que o STF analise eventuais recursos. Ele elogiou a manutenção das prisões preventivas de Antunes e de Maurício Camisotti e sugeriu a extensão das medidas a outros nomes investigados, como o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor André Fidelis.

Polêmica nas redes sociais

O clima da CPMI também foi marcado pela repercussão de uma publicação do deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO), que acusou colegas de tentar “blindar bandidos” por rejeitarem convocações. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), citada no texto, reagiu com indignação e afirmou que parte dos requisitos serve apenas como “cortina de fumaça”, desviando o foco da apuração.

Soraya defendeu a convocação de autoridades como Onyx Lorenzoni, Paulo Guedes, Wagner Rosário, Bruno Bianco, Vinícius (da CGU) e Jorge Messias (da AGU), antes de ouvir nomes que, em sua visão, não têm relação direta com as fraudes apuradas.

A coordenadora de Assuntos de Previdência Social na Defensoria Pública da União (DPU), Patrícia Bettin explicou que havia um padrão nas fraudes. Entre as mais de 30 entidades (associações e sindicatos) autorizadas a descontar mensalidades associativas na folha, algumas falsificavam a autorização de milhares de aposentados e pensionistas que, sem saber, se tornavam associados a elas.

As associações fraudaram assinaturas ou autorizações por gravação telefônica, até com uso de inteligência artificial, segundo ela. Os termos de adesão eram então comunicados ao INSS, que fazia o desconto automático do benefício, em favor das associações.

“Os valores variavam em torno de R$ 30 a R$ 90. Normalmente, os serviços oferecidos são de assistência jurídica, planos odontológicos, academias. Acontece que os beneficiados não tinham conhecimento sequer dos serviços”, disse Patrícia, com base em sua atuação na DPU.

A fraude estimada pela Polícia Federal foi de R$ 6,3 bilhões, valor referente ao período de 2019 até 2024. Os prejudicados demoravam, em média, de dois meses a um ano para perceber as fraudes, segundo a coordenadora.

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