Parlamentar segue detida em Roma enquanto aguarda decisão final; defesa alega perseguição política
A Corte de Cassação da Itália, instância máxima do Judiciário do país, decidiu nesta quarta-feira (8) manter a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) em prisão preventiva. Ela está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, desde o fim de julho, enquanto aguarda o desfecho do processo de extradição solicitado pelo Brasil.
A decisão confirma o entendimento anterior da Corte de Apelação de Roma, que em agosto rejeitou o pedido de liberdade provisória ou prisão domiciliar da defesa. O tribunal apontou fortes indícios de risco de fuga, ressaltando que Zambelli entrou na Itália apenas um dia após sua condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e que a deputada manifestou publicamente desconfiança no sistema judicial brasileiro.
O procurador da Justiça italiana deu parecer contrário ao recurso, reforçando os argumentos relativos ao risco à ordem pública. A audiência na Corte de Cassação contou com a participação do advogado italiano Giuseppe Bellomo, líder da defesa no país europeu.
Zambelli, que não compareceu à sessão, foi condenada no Brasil a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), além de uma pena adicional de cinco anos e três meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento com uso de arma. Ambas as sentenças constam no pedido de extradição formalizado em junho pelo governo brasileiro.
Os advogados alegam perseguição política e apontam irregularidades no processo, além de defenderem que a condição de saúde da parlamentar justifica a substituição da prisão por regime domiciliar.
Entretanto, perícia médica judicial constatou que Zambelli está em acompanhamento psiquiátrico regular e não apresenta impedimentos clínicos para permanecer sob custódia. O laudo foi considerado nas decisões que negaram os pedidos da defesa.
Na última semana, o subprocurador-geral da Itália, Erminio Amelio, visitou a penitenciária de Rebibbia para colher novo depoimento da deputada. A medida antecede a próxima etapa do processo de extradição, que tramita paralelamente à análise da medida cautelar.
